A Secretaria dos Transportes admite que o governo do Paraná e as empresas concessionárias que exploram as rodovias do Anel de Integração no Paraná, não têm dinheiro para as obras de duplicação das estradas. Por isso, um acordo estabelece que as empresas investem inicialmente na recuperação da malha viária com obras de recapeamento, sinalização, contornos e viadutos, equipamentos necessários para manter a segurança dos veículos. Em seguida passam a cobrar o pedágio. O valor arrecadado vai amortizar as parcelas do financiamento necessário para iniciar as obras de duplicação.
O chefe da Divisão de Concessão e Pedageamento do Departamento de Estradas de Rodagem (DER), Dalton Costa, concorda que o ideal seria a duplicação das estradas. Mas ressalta que a realidade brasileira é diferente de outros países e a melhoria da infra-estrutura terá de vir aos poucos, com a participação de todos os setores da economia.
O projeto de concessão das rodovias deverá durar no mínimo 24 anos e, nesse período, será feita uma série de investimentos, inclusive a duplicação das estradas que compõem o Anel de Integração. Costa ressalta que em 3 meses de concessão das rodovias, as empresas já aplicaram R$ 72,4 milhões nas obras de recuperação.
Segundo Costa, a iniciativa privada é mais eficiente para administrar e tem a rapidez que o processo exige. As empresas são mais ágeis e não precisam fazer licitação para compra de equipamentos. Também são mais rápidas na contratação de funcionários. Essa foi a justificativa dada pela Secretaria dos Transportes, ao ser questionada sobre o fato de o governo não assumir a administração das estradas, já que nem ele nem as empresas têm o dinheiro suficiente para as obras de duplicação.
A cobrança de tarifa está gerando protestos em vários setores da economia em todo o Estado, que não aceitam pagar pedágio antes das obras de duplicação das estradas. Costa aponta como exemplo de ineficiência de governo a experiência de cobrança de pedágio por parte do governo paulista, na via Dutra, e nas estradas administradas pela DERSA (estatal paulista).
Segundo Costa, essa experiência adotada na década passada foi frustrada, quando o governo se viu de mãos atadas por causa dos sucessivos planos econômicos que obrigavam a uma revisão constante nas tarifas. A imobilidade do governo chegou a um ponto em que as despesas de manutenção dos postos de pedágio eram superiores a arrecadação, explicou.

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