Pedágio é liberado por manifestantes na BR-277
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terça-feira, 11 de agosto de 1998
Paulo Pegoraro 
A coluna de sem-terra que partiu de Foz do Iguaçu chegou às 11h30 de ontem na praça de pedágio de Céu Azul (51 km a oeste de Cascavel). Imediatamente, funcionários da Rodovia das Cataratas, concessária responsável pelo lote 3 do Anel de Integração, abandonaram os guichês e os sem-terra abriram as cancelas, liberando por duas horas a passagem de carros.
Os motoristas se livraram de pagar no mínimo R$ 1,40 (automóveis) e demonstraram apoio à marcha. A empresa não divulgou o quanto deixou de arrecadar com o protesto. Passam pelo trecho da rodovia cerca de 10 mil carros por dia.
Homens, mulheres e crianças de acampamentos de sem-terra de todas as regiões avançam pelas rodovias do Estado com a Marcha pelo Paraná, repetindo o que ocorre em todo o País, na Marcha pelo Brasil. São aproximadamente 1.500 pessoas divididas em sete colunas que partiram do oeste, norte e sul em direção a Curitiba. A luta é pela reforma agrária e procuram chamar a atenção e solidariedade da comunidade por onde passam.
As colunas abrem caminho pelas estradas em meio a manifestações e protestos. Ontem à tarde, um dos grupos, com 220 integrantes que saíram de Foz do Iguaçu no dia 3, estava entre Céu Azul e Santa Tereza do Oeste. Eles já percorreram 110 quilômetros pela BR-277. Hoje à tarde, o grupo deve chegar em Cascavel. No dia 7 de setembro, todos estarão em Ponta Grossa e tentarão participar do desfile da Independência formando o Grito dos Excluídos. Até o dia 9, a coluna de Foz terá marchado 660 quilômetros até Curitiba.
Pela manhã, a assessoria de imprensa da Rodovia das Cataratas havia divulgado que havia clima de tensão, embora não tivesse sido solicitado policiamento especial. Além de vigilantes da própria empresa, havia apenas alguns policiais rodoviários. Não houve qualquer incidente, ao contrário do que ocorreu no dia 6 na praça de pedágio de São Miguel do Iguaçu, quando, segundo a empresa, foram danificados componentes das cancelas eletrônicas.
Anteontem, foi montado um forte esquema policial na praça de pedágio de Presidente Castelo Branco (26 km a noroeste de Maringá) para evitar que trabalhadores sem terra que participam da marcha praticassem ato de vandalismo.


