Milton DóriaTrânsito paradoProtesto contra a praça de pedágio causa congestionamento na rodoviaCerca de 500 pessoas interditaram ontem de manhã por 30 minutos o trecho da BR-369, no Contorno Sul de Rolândia (25 km a oeste de Londrina). O protesto, que reuniu representantes de associações de bairros, clubes sociais, viajantes que passavam pelo local e políticos foi contra a construção da praça de pedágio no local, autorizado pelo governo do Estado e executado pelo consórcio Viapar, responsável pela privatização do trecho entre Cambé e Cascavel do Anel de Integração.
A manifestação começou às 10 horas, com exposição de faixas e discursos de líderes locais insatisfeitos com a construção do pedágio naquele ponto. Eles argumentaram que Rolândia faz parte da região metropolitana de Londrina e milhares de pessoas trabalham e estudam na região. Segundo o vice-prefeito de Rolândia, João Dário (PDT), a prefeitura não foi consultada antes da decisão de escolha do local. ‘‘Nós só ficamos sabendo através da imprensa quando pediram licença prévia’’, informou.
Ele explicou que a prefeitura e os manifestantes não são contra a privatização das estradas e a construção da praça de pedágio. ‘‘Mas este local é impróprio. Os benefícios que teremos aqui não vão superar os prejuízos com o pagamento de pedágio dos usuários’’, disse. Durante o protesto, o prefeito José Perazolo (PTB) estava no gabinete do secretário de transportes Heinz Herwig, em Curitiba, para tentar negociações.
Para a comunidade de Rolândia, o pedágio será uma máquina de fazer dinheiro. ‘‘Uma comunidade de 50 mil habitantes não pode engolir goela abaixo essa determinação. Será um faturamento enorme, punindo uma população e uma região inteira’’, ressaltou o presidente da Cooperativa Agrícola de Rolândia, Eliseu de Paula. Segundo ele, a arrecadação de impostos com os agricultores que ali trafegam chega a U$ 8 milhões. ‘‘Tem que haver um bom senso do Governo’’.
Outro ponto destacado por de Paula é que a área agrícola que circula o local do pedágio foi comprada por R$ 66 mil o alqueire. ‘‘O preço é absurdo, mas com um dia de cobrança de pedágio eles pagam essa quantia’’, acrescentou. Segundo a Polícia Rodoviária, o trecho da BR-369, onde será construído o pedágio, tem um fluxo de 30 mil veículos por dia. Se o preço do pedágio for de R$ 3,00 por veículo a renda será de R$ 90 mil po dia.
O secretário de transportes, Heinz Herwig, comunicou os manifestantes, por telefone, que até segunda-feira vai tentar controlar a situação, junto à Viapar, de forma que ninguém saia prejudicado. Mesmo assim, os manifestantes fizeram os funcionários da Viapar que trabalhavam no local desligar as máquinas, até a decisão de Herwig.
Em nota à imprensa, o presidente da Viapar, Nilton Marchetti, voltou a afirmar que a instalação da praça de pedágio no trecho Rolândia-Cambé vai aumentar a segurança da rodovia e gerar cerca de 100 empregos. ‘‘É preciso apegar-se aos benefícios que serão proporcionados com esta nova realidade’’, disse.

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