Pedágio alternativo preocupa prefeituras
Lúcio Flávio Moura
De Arapongas
Os departamentos jurídicos das prefeituras de Arapongas e Rolândia, Norte do Estado, estudam uma forma de acionar três proprietários rurais por causar prejuízos ao erário com a cobrança de uma taxa de passagem em um desvio da praça de pedágio da Viapar, concessionária do Lote 2 do Anel de Integração, no limite entre os dois municípios. Somente a prefeitura de Arapongas estima em R$ 3 mil por mês o prejuízo com o tráfego no caminho alternativo. O valor é referente ao não recolhimento do Imposto Sobre Serviços (ISS), tributo municipal.
Há pelo menos um mês, a via rural de 2,5 quilômetros de extensão, vem tendo um tráfego intenso, principalmente de utilitários, carros de empresa e caminhões, que preferem pagar uma taxa de R$ 0,25 por eixo (os caminhões pagam R$ 0,50 por eixo para a Viapar) aos proprietário do pesqueiro Vale Verde e a um produtor de hortaliças, do que a taxa de R$ 1,35 por eixo nos guichês da concessionários.
Os novos concessionários montaram no início do ano uma barraca próximo ao pesqueiro e colocaram familiares para efetuar as cobranças, que segundo eles, não é compulsória. Paga quem tem, quem não tem, passa do mesmo jeito, diz Ariston Pereira da Silva, 45 anos, sócio do pesqueiro com seu irmão Eguimar da Silva, 55.
Eles estimam que durante a última semana, pelo menos 1,5 mil veículos passam nos dois sentidos da estrada. A reportagem da Folha esteve no local e presenciou até mesmo congestionamento em um horário de movimento médio.
Mesmo que fosse o mesmo valor do pedágio, prefiro pagar aqui. É uma forma de protestar contra esta tarifa abusiva da Viapar, disse o vendedor Sandro Costa Navarro, 31 anos, um dos usuários da via que já é considerado cliente fiel pelos administradores do pedágio alternativo.
A popularidade da Viapó, como a estrada foi apelidada na região, está servindo para melhorar a condição financeira dos empreendedores que reclamam de grandes prejuízos com o impacto ambiental que teria sido provocado com a construção do complexo viário em torno da praça de pedágio. Eles alegam que a obra praticamente secou a nascente do Córrego Aipim (que divide os dois municípios), o que teria inviabilizado o abastecimento dos tanques de piscicultura e a irrigação de uma plantação de hortaliças do produtor Osvaldo Magi, 64 anos, que também é sócio no pedágio alternativo.
Os irmãos Silva e Magi investiram R$ 7 mil no cascalhamento da estrada e no aterramento de uma tubulação que antes era transposta por uma ponte de estrutura frágil. Estamos processando a Viapar por nossos prejuízos. Enquanto não somos indenizados e para não morrer de fome tivemos esta idéia. Não cometemos crime nenhum, defende-se Ariston, que foi autuado semana passada pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em R$ 12 mil. Eles teriam derrubado árvores e prejudicado a vazão do córrego em uma área de preservação permanente. Estamos recorrendo e não vamos sair daqui antes de uma decisão judicial, afirmou.





