A transferência do grupo acusado de tráfico da sede da Delegacia da Polícia Federal de Londrina para a Penitenciária Estadual (PEL) foi motivada por duas razões: receio da PF de que o Cartel de Cáli pudesse tentar um resgate e porque os empresários alegaram ser portadores de curso superior, com direito a cela especial, e que a Polícia Federal não dispõe de acomodações adequadas.
Os empresários José Antônio Daher e David Rodrigues Alfredo e os colombianos Gustavo Adolfo Rodrigues Ni¤o, Pedro Gastón, Roberto Gomes e Carlos Mario Mejias Orosco foram transferidos no meio da tarde de ontem. Os presos percorreram da cela até o ‘‘camburão’’ usando capuz para impedir o reconhecimento pelas fotos e filmagens da imprensa. Além do camburão, a Polícia utilizou duas viaturas como batedor, uma na frente e outra atrás.
A Folha tentou apurar junto à direção da Penitenciária Estadual como os seis presos seriam alojados e se os portadores de curso superior teriam cela especial. A informação com a secretária do diretor em exercício foi de que somente o gabinete do secretário da Justiça, José Tavares, poderia falar sobre o assunto. Mas Tavares não se encontrava na secretaria, em Curitiba.
De acordo com o superintendente da PF em Londrina, delegado José Roberto Morel, os dois empresários e os quatro colombianos tiveram bom comportamento durante os três dias que passaram na delegacia. Morel explicou que os seis envolvidos no flagrante por tráfico de cocaína ficaram juntos. A Delegacia da PF conta com apenas três celas, com capacidade para quatro presos cada uma. ‘‘Não havia alternativa a não ser colocá-los na mesma cela’’, disse o delegado, reiterando que não houve problemas durante os três dias. Ainda de acordo com Morel, eles usaram somente a estrutura oferecida pela Polícia. As celas contam apenas com camas, sanitários e banheiro. ‘‘A alimentação, inclusive, foi a fornecida pela Polícia. A única queixa foi feita pelos dois empresários, que afirmaram ter curso superior e terem o direito a celas especiais’’, detalhou o superintendente. ‘‘Daher chegou a dizer que a cela não apresenta condições dignas e é desumana’’, completou Morel.Paulo WolfgangTransferênciaEmpresários e colombianos chegam à PEL: cela especialÁureo Nogueira

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