Pecuarista é sequestrado no Vale do Ivaí
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quinta-feira, 17 de julho de 1997
Maurício Borges Rio Bom 
O pecuarista Paulo Akira Kishino, 68 anos, foi sequestrado anteontem por volta das 19 horas, perto de sua residência, na fazenda Boa Esperança, município de Rio Bom (45 quilômetros ao sul de Apucarana). Kishino desapareceu quando fazia uma caminhada numa estrada rural que liga o distrito de Santo Antônio do Palmital ao município de Borrazópolis. Não houve testemunha da abordagem dos sequestradores.
Grupos de elite das polícias civil e militar ontem trabalhavam no caso. Pela manhã, uma equipe da 17ª Subdivisão Policial de Apucarana, comandada pelo superintendente Renato Calabrezi, chegou na residência da família, passando a monitorar o telefone. Depois chegaram homens do Grupo Águia (PM). À tarde, o Grupo Tigre (Civil) assumiu o comando da operação, comandado pelo delegado Hiri Ishitani.
O veterinário Eraldo Kishino, filho do pecuarista, declarou à imprensa - que permaneceu de plantão durante todo o dia no portão da fazenda - que a uma hora da madrugada de ontem, a família recebeu um telefonema, supostamente dos sequestradores. Minha mãe, que atendeu ao telefone, ouviu apenas a informação de que estamos com o senhor Paulo Akira Kishino e ele está bem, revelou. Ela ainda tentou conversar com o sequestrador, mas ele desligou o telefone.
O filho, que administra outra fazenda de gado do pai, no município de Ortigueira, explicou que Akira Kishino tem problemas de diabetes, hipertensão e colesterol, e por isso faz caminhadas todos os dias. Familiares da vítima estavam preocupados, pois Kishino precisa tomar vários remédios diariamente.
Paulo Akira Kishino é pioneiro de Rio Bom, onde mora há 40 anos. Ele é proprietário das fazendas Porteira Velha (80 alqueires), Rio Novo (230 alqueires em Ortigueira), Boa Esperança (200 alqueires), todas de gado de corte. Ele tem situação financeira estável e a família garante que ele não possui inimigos.
Durante todo o dia, a polícia não passou qualquer informação sobre a negociação com os sequestradores. O caminho que Kishino costuma fazer foi rastreado. Nenhum vestígio foi encontrado. Na manhã de ontem, a família do pecuarista chegou a pedir à polícia que se afastasse do caso, para evitar riscos ao refém. Uma nova estratégia deve ser montada hoje pela polícia.


