Acusado de tráfico de cocaína, o pecuarista José Antonio Daher resolveu assumir sozinho a propriedade dos 300 quilos de cocaína apreendidos em sua mansão pela Polícia Federal de Londrina. Quando foi preso, semana passada, ele havia denunciado o empresário David Rodrigues Alfredo como sendo seu sócio, o piloto do avião que trouxe a droga, Cesar Rafael Ribeiro Quintana, e os colombianos Gaston Roberto Gomes, Carlos Mário Mejias Orosco e Gustavo Adolfo Rodrigues Ni¤o.
Ni¤o seria o braço do cartel colombiano do narcotráfico de Cali, de onde veio a cocaína. David Rodrigues é proprietário da empresa Arábica Industrial e Exportação de Café, Madeira e Aves, que seria usada como fachada para exportações de aves congeladas, café em latas de 500 gramas a um quilo e madeiras. No interior dos produtos, viajava a droga.
‘‘Assumir sozinho um crime é comum entre os traficantes. Eles são obrigados a fazer isto ou morrem. Daher não foge à regra e sabe o que lhe pode acontecer. Tanto que, possuindo diversas propriedades, preferiu guardar a cocaína em sua casa. Com isso, ele estaria assumindo a responsabilidade total do tráfico, caso fosse pego’’, afirmou o delegado-chefe da PF em Londrina, José Roberto Morel. Nas suas primeiras declarações na PF, Daher havia inocentado apenas os seus dois filhos e a esposa, apesar da cocaína ter sido escondida no guarda-roupas do casal, onde toda a família tinha acesso.
O delegado também disse que não se surpreendeu com as mudanças das declarações de Daher e que não acredita que ele esteja usando de artimanha para não ser enquadrado também por formação de quadrilha. Segundo Morel, o crime de formação de quadrilha serviria apenas como qualificadora para o delito maior, que é o tráfico de drogas.
O inquérito sobre a apreensão da cocaína está sendo presidido pelo delegado federal José Alberto de Freitas Iegas. Hoje à tarde, ele entregará o inquérito na Justiça Federal, faltando algumas investigações. ‘‘Vamos dar sequência ao nosso trabalho, desdobrando algumas diligências que ainda não foram complementadas’’, afirmou.
Além dos acusados foram ouvidas 10 testemunhas. Uma delas foi o frentista de um posto de gasolina, onde David teria comprado combustível em tonéis para o avião retornar à Colombia. A aeronave teve problemas técnicos e não conseguiu levantar vôo. O piloto foi preso em um hotel na área central de Londrina, com um quilo de cocaína.

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