O pecuarista Alcindo Cerci enviou na quarta-feira da semana passada uma carta ao governador Jaime Lerner (PFL), solicitando que seja cumprida a ordem de reintegração de posse da Fazenda São José, de 270 alqueires, determinada no dia 10 de setembro pela juíza da Comarca de Loanda, Elisabeth Khater.
Cerci explica que decidiu apelar diretamente ao governador por entender que enquanto a reintegração não acontece, a fazenda está sendo destruída pelos invasores do MST. ‘‘Até agora tive um prejuízo de R$ 30 mil depois de trabalhar 20 anos para formar a propriedade’’. Ele diz que pretende aguardar que a ordem de reintegração seja cumprida até a realização das eleições. Se depois do dia 4 de outubro nada acontecer, vai pedir na Justiça a intervenção federal no Estado.
A fazenda de propriedade de Cerci está localizada no município de São Pedro do Paraná (Noroeste) e foi invadida por 130 famílias integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) há cerca de 20 dias. Segundo o pecuarista, no momento em que foi invadida a propriedade possuia 300 bois em regime de confinamento e 20 vacas reprodutoras puras de origem.
Ele alega que 16 bois já foram mortos pelos invasores e que o restante dos animais foram soltos no pasto e não recebem qualquer tipo de alimentação suplementar. ‘‘Os animais já estão emagrecendo e algumas dessas vacas registradas que são valiosas podem morrer’’, reclama.
O proprietário reclama também do plantio de 44 mil mudas de café que estava fazendo e foi suspenso pelos invasores. O administrador da propriedade, Adeval Delmiro, segundo Cerci foi expulso da propriedade pelos integrantes do MST e outros dois funcionários da fazenda ainda permanecem no local, mas estão impedidos de trabalhar.
De acordo com relato do administrador da fazenda, os invasores estão utilizando lascas de cerca para fazer fogueiras, já invadiram as casas da propriedade em busca de armas e não estão permitindo que 254 sacas de café, no valor de R$ 30 mil, sejam retiradas do local.

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