- Vovó, olha que lindo, tem um anjo batendo as asas na árvore de Natal. Olha, vovó, ele se mexeu!
- Olha a dançarina como rebola, que bonito... Marlene, você já botou a cartinha na cestinha do Papai Noel?
Na rua Santiago, 1294, jardim Bela Suiça (zona sul), tem um presépio que está deixando, de netinhas à vovós, todo mundo encantado. Mas, ao contrário de outros presépios, esse não se limita à manjedoura com Menino Jesus, Maria e José, Reis Magos. No presépio da rua Santiago tem tudo isso e muito mais.
São Papais Noéis de todos os tamanhos e nas mais diferentes situações; bichinhos que povoam o imaginário infantil, animais diversos, bonecos, música ao fundo. Tudo para deixar não só as crianças, mas também muito marmanjo boquiaberto.
‘‘Que capricho, hein! É muita criatividade, muita harmonia entre as peças e luzes’’, elogia José Coppi. A professora Bartira Scucuglia é outra que se encantou com o presépio. E comenta: ‘‘Tem que ter alguma motivação muito forte pra fazer isso, seja de ordem religiosa ou qualquer outra’’.
Uma mulher, extasiada com o que via, dizia: ‘‘É um sonho. Depois disso aqui não quero ver mais nada’’. Funcionária do hospital Mater Dei, irmã Efigênia, olhares vidrados na manjedoura, não deixa por menos: ‘‘Podemos sentir como vai ser o céu. Esse presépio é como um céu e desperta dentro da gente a saudade de Deus’’.
Para os visitantes, que não conhecem os donos da casa encantada da rua Santiago, a pessoa que montou o presépio deve ter virtudes ímpares. ‘‘Deve ser uma pessoa de muita criatividade, de um astral muito elevado’’, acredita Mafalda Coppi.
Mas, entre suspiros e expressões de encanto, uma motocicleta encosta em frente ao presépio. De cima dela, um jovem, cerca de 20 anos, olha tudo com o mesmo encantamento dos demais, ri do Papai Noel enroscado na chaminé com o saco de presentes. De repente, depois de puxar pela memória e fazendo cara de desconfiado, quebrou o encanto: ‘‘Ei, não é aqui a casa daqueles bruxos? Será que não fizeram isso para atrair as criancinhas?’’ Deu uma gargalhada, acelerou a moto e foi embora. Mal virou a esquina, chega o ônibus da Acil apinhado de crianças. E essas, ainda da janela do veículo, encantadas com o que viam, gritam frenéticas: ‘‘Já ganhou! Já ganhou! Já ganhou!’’
(Apolo Theodoro)

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