Peart receberá verba para pagar os salários atrasados
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segunda-feira, 08 de setembro de 1997
Luka Morais Londrina 
Marcos BorgesCompromissoPadre Dirceu Fumagalli: O pagamento deve estar na conta do pessoal até no máximo quarta-feira Os 400 monitores, coordenadores e supervisores do Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário (Peart), que estão com salários em atraso há três meses, deverão receber parte do pagamento nesta semana. A informação é do presidente da Apeart, organização não-governamental (ONG) responsável pelo projeto, padre Dirceu Fumagalli.
O pagamento do pessoal do Peart, que atua na alfabetização de cerca de 8 mil jovens e adultos da zona rural em várias regiões do Estado, é feito através de convênio firmado com a Secretaria de Estado da Educação (Seed).
O presidente da associação disse que, em contato com o departamento financeiro da Secretaria de Educação, foi informado sobre a liberação dos recursos para o pagamento dos salários de junho e de julho. Vai ficar ainda um mês em atraso. Mas o pagamento de dois meses atrasados deve estar na conta do pessoal até no máximo quarta-feira, disse.
Padre Dirceu informa que não foram liberados os 12% do valor da folha de pagamento destinados à administração dos projetos e manutenção da sede. Segundo o tesoureiro da Apeart, Wagner Roberto do Amaral, a folha de pagamento do pessoal que atua no projeto totaliza R$ 101 mil por mês. O salário bruto dos monitores é de R$ 142,00.
O atraso no repasse dos salários tem sido justificado pela falta de recursos. Em abril deste ano, a falta de pagamento resultou numa audiência com a vice-governadora Emília Belinati e o secretário estadual de Educação, Ramiro Wahrhaftig. Eles se reuniram em Londrina com a coordenação do programa e assumiram o compromisso de regularizar o repasse dos recursos, que estavam atrasados desde janeiro.
Na ocasião, o secretário de Educação justificou o atraso afirmando que houve problemas operacionais. A situação se manteve regularizada até maio. Durante audiência com o secretário, o presidente da Apeart apresentou a revindicação dos representantes dos projetos de reajuste salarial para a categoria.
O problema é que o Estado não está conseguindo pagar nem os salários atuais, lamenta.
O Projeto de Educação do Assalariado Rural Temporário é considerado a primeira iniciativa no Brasil voltada à alfabetização de bóias-frias. O projeto surgiu em 1990, no então distrito de Tamarana, com o objetivo de ser um trabalho alternativo na área da educação.
Em 1992, foi firmado convênio com o Governo do Estado e atualmente está sendo implantado em aproximadamente 75 municípios.
O sucesso do projeto, segundo seus coordenadores, é o método. Os alunos são alfabetizados com monitores da própria comunidade e as aulas são realizadas nas zonas rural e urbana. São utilizadas referências que os trabalhadores conhecem, respeitando a formação e o ambiente cultural dos alunos.
Além do projeto destinado ao assalariado rural temporário, a Apeart coordena outros dois trabalhos de alfabetização: de indígenas e de posseiros. Trabalha também com o Projeto Educação do Jovem à Universidade (Peju).


