Peão amador morre com coice de touro
Lúcio Flávio Moura
De Londrina
Foi sepultado às 17 horas de ontem, no Cemitério Padre Anchieta, no Jardim Ideal (zona leste de Londrina), o corpo do peão amador Marcelo Mosson de Souza, 17 anos. Ele morreu na madrugada de ontem, depois de permanecer 10 horas na UTI da Santa Casa, vítima de um acidente na arena de treinamento da Fazenda Refúgio, no Distrito de Maravilha.
Segundo relato de amigos que estavam acompanhando a montaria, o acidente aconteceu poucos segundos depois da abertura do brete (espaço em que o peão se prepara para a montaria). Três saltos do touro Chitãozinho (o animal sorteado era outro, mas ele preferiu trocar de touro na última hora), considerado dos mais mansos dos seis que compunham o plantel da sessão de treinos, foram suficientes para Marcelo levar o coice fatal e acabar com seus sonhos de se tornar um peão profissional.
As patas traseiras do animal atingiram sua nuca. Ele caiu inconsciente. Os colegas ainda tentaram reanimá-lo com tapas no rosto e um pano com álcool, acreditando que ele tivesse apenas desmaiado, fato comum na modalidade. A viatura do Siate só chegou ao local uma hora e meia depois.
O estagiário dos Correios, Rodrigo Ribeiro, 17 anos, lembra que todos ficavam impressionados com a obstinação e o prazer com que ele exercia a atividade. Ele costumava treinar em uma fazenda de Sabáudia de quinta à segunda. Ele adorava, passava o dia inteiro montando. Queria ganhar a vida nos rodeios. O pai não quis comentar o acidente, mas ressaltou que é preciso alertar os jovens para os riscos da modalidade.
Anunciada a morte cerebral, na noite de anteontem, a família autorizou a doação dos órgãos de Marcelo. Os rins não foram aproveitados. O coração foi transplantado para um homem de 47 anos, que no início da tarde de ontem, permanecia em estado regular. A cirurgia durou quatro horas e terminou às 6 da manhã. As córneas também foram aproveitadas, mas a supervisão da Santa Casa não soube informar mais detalhes sobre o transplante.





