Pé torto e pé chato são confundidos com frequência pelas pessoas leigas, que acham que tratam-se do mesmo problema. ''O pé torto congênito é uma deformidade em que a criança nasce com o pé numa posição bastante diferente e isso é muito evidente no nascimento'', esclarece o ortopedista Alessandro Melanda, de Londrina. Já o pé chato é a falta do arco do pé, comum nas crianças até os seis anos de idade.
O tratamento do pé torto passa necessariamente por uma cirurgia, mas a forma de tratar teve uma grande evolução no Brasil nos últimos dez anos. ''Antigamente, a criança que tinha pé torto precisava passar por uma cirurgia extensa que nem sempre apresentava um bom resultado. Hoje fazemos uma manipulação gessada e depois é feita uma pequena cirurgia, com corte aproximado de um centímetro'', explicou Melanda, do Hospital Ortopédico.
Uma criança para cada mil nascidas vivas apresenta a anomalia e a cirurgia é necessária em 95% dos casos. ''O gesso é colocado até os sete dias de vida e trocado semanalmente conforme a mudança na posição do pé'', relata o médico. A criança fica em média seis semanas com o gesso e logo após esta etapa é feita a cirurgia. ''Fazemos apenas um 'pique' no pezinho e geralmente a criança tem entre um mês e meio e dois meses de vida no procedimento'', destacou.
Após a cirurgia a criança fica com o gesso cerca de três semanas e depois começa a usar uma órtese em tempo integral pelo período de três meses. Passada esta etapa, o aparelho ortopédico continua sendo necessário até a criança completar três anos, mas só é usado para dormir.
Os resultados obtidos com o tratamento são considerados muito bons. ''No passado as crianças eram tratadas com o método mais agressivo, tinham mais dificuldade para andar e apresentavam dor na idade adulta. Com este método a mudança é fantástica em termos de resultado e a gente consegue solucionar o problema mais rápido'', afirmou. Após a cirurgia a criança senta, engatinha e anda como as demais.
O pé torto é uma das deformidades congênitas mais comuns na ortopedia, em alguns casos é possível identificar a anomalia durante a gestação.
Botas
Na década de 80 e início dos anos 90 era comum encontrar crianças usando botas ortopédicas. Atualmente este calçado não é mais recomendado pelos médicos. De acordo com o ortopedista, as botinhas eram recomendadas para as crianças que apresentavam pé plano ou chato; hoje sabe-se que esta é uma situação fisiológica, normal do nascimento até os seis anos de idade. ''No passado não tínhamos conhecimento que o pé da criança inicialmente não tem o arco e que isso é formado com o passar do tempo, conforme o pé amadurece.''
A criança tem o pé plano porque logo ao nascer existe uma ''gordurinha'' na planta do pé e a musculatura ainda não está madura suficiente para manter o arco. A bota ortopédica era usada dos dois aos seis anos. ''Tinha um resultado bom, mas ele seria alcançado mesmo sem a bota'', disse. Atualmente os ortopedistas sabem que o pé plano é considerado parte do desenvolvimento da criança. A orientação do médico é que as famílias deixem as crianças andarem descalças e que se sejam usados calçados flexíveis para que o pé possa 'trabalhar'.

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