Foi em Lajinha, Minas Gerais, que dona Maria Honorata dos Reis, 65 anos, aprendeu e pegou gosto pela dança de salão, ela adora um arrasta-pé. ‘‘Valsa, rancheira, vanerão, xote, eu topo tudo’’, diz a ex-bóia-fria, que mora em Cambé há mais de 30 anos. Dona Maria, que só se casou aos 27 anos, ‘‘depois de ter aproveitado muito a vida’’, lembra com saudade da época em que ia para os forrós, acompanhada dos irmãos e do pai, ‘‘e só voltava quando o sol já estava alto’’.
Ontem, no desfile que escolheu a mais bela mulher da terceira idade, ela reclamava dos homens que, na opinião dela, ‘‘não estão mais com nada’’.
‘‘Eles vêm para os bailes e, em vez de tirar a gente para dançar, ficam lá, encostados na parede. Se é para vir aqui e não dançar, melhor que eles fiquem em casa. O jeito é dançar mulher com mulher, mas que graça tem. Outro dia - falando bem baixinho - veio uma mulher aqui e ficou falando que a gente era tudo ‘sapatão’. Imagine, nós sapatão. Deu até raiva. Antes eu ia lá e convidava eles para dançar, mas cansei de levar tábua. Pior ainda, às vezes eles não querem dançar com a gente mas, se encontram uma mulher mais nova eles convidam para dançar’’, comenta dona Maria, bronqueada com os ‘rapazes’. (C.O.)

mockup