O diretor da Penitenciária Central do Estado (PCE), Cezinando Paredes, confirmou ontem que todas as correspondências que chegam ao presídio são abertas antes de serem encaminhadas aos presos. Esta foi uma das irregularidades encontradas pela Comissão Nacional dos Direitos Humanos da Câmara dos Deputados na unidade prisional de Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba. ‘‘As correspondências precisam passar por uma censura. Até para evitar a entrada de drogas na unidade’’, garantiu ele.
Paredes confirmou ainda que todos os visitantes, exceto advogados e magistrados, precisam tirar as roupas para vistoria. A prática é realizada inclusive com menores de idade para evitar a entrada de drogas e armamentos. ‘‘Sabemos que é crime. Mas é a nossa forma de controlar a unidade penal’’, argumentou. Os agentes penitenciários também são revistados, mas não precisam tirar totalmente as roupas.
Mesmo com o controle intensivo, as drogas continuam entrando na PCE. O preso Carlos Alberto de Oliveira, 34 anos, que estava há duas semanas na ala isolada, sem sol ou televisão, disse que foi enviado para o setor por estar portando maconha. ‘‘Isto corre direto dentro da cadeia. Não seria motivo para me deixarem tanto tempo na solitária’’, reclamou ele. Oliveira está preso por assalto e foi condenado a 30 anos e 11 meses de reclusão.
A situação de presos que estão no ‘seguro’, ou seja, que pedem para ir para ala de segurança por temerem represálias de outros detentos, também foi destacada por Cezinando Paredes. ‘‘Não temos como garantir sol para estes presos. Eles pedem para ficar na ala de isolamento, que não tem infra-estrutura adequada para recebê-los’’, considerou.
As reclamações feitas pelos deputados federais foram anotadas e serão encaminhadas para o governo do Estado. Entre as soluções que poderão ser adotadas está a abertura de correspondências na frente dos presos. Quanto aos processos jurídicos dos detentos, Cezinando Paredes disse que houve atraso e dificuldade no atendimento após a rebelião. Atualmente, três advogados e oito estagiários de Direito atendem a unidade penitenciária que comporta 1.450 presos.
Quanto a situação das delegacias e distritos de Curitiba, especialmente a Delegacia de Furtos e Roubos, visitada anteontem pelos deputados federais, a assessoria de imprensa da Secretaria de Estado de Segurança Pública informou que estão sendo feitas as verificações das denúncias de tortura e desrespeito dos direitos humanos. O delegado geral da Polícia Civil, Leonyl Ribeiro, informou que ainda não teve conhecimento formal das denúncias e que aguarda o relatório da Comissão Nacional dos Direitos Humanos antes de se pronunciar oficialmente sobre o assunto.

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