Curitiba - Quatro pessoas ligadas ao Primeiro Comando da Capital (PCC) facção criminosa com base nos presídios de São Paulo foram presas na madugada de ontem, em Curitiba. Durante três dias elas mantiveram em cativeiro integrantes da família do piloto de helicóptero José Melo Viana, ameaçando matá-los caso ele não concordasse em fazer o resgate de um líder do PCC de um presídio no interior de São Paulo.
O drama do piloto começou por volta de 7 horas da manhã de quinta-feira, quando dois sequestradores abordaram o piloto na rua, no momento em que levava a filha para escola, e o obrigaram a retornar para casa. Em seguida os homens pegaram a mulher, a filha, e a empregada que trabalhava na casa e as levaram para o cativeiro. O piloto permaneceu em sua casa, onde foi orientado pelos sequestradores a conseguir um helicóptero e encontrá-los às 15 horas do mesmo dia, no Parque Barigui, um dos mais movimentados da cidade. Dali, eles partiriam para resgatar um chefe do PCC, preso em uma penitenciária no interior paulista. A quadrilha também colocou uma falsa escuta no piloto, e lhe deu um celular para comunicação entre eles, dizendo que ele estaria sendo monitorado tempo inteiro.
O secretário de Estado de Segurança Pública Luiz Fernando Delazari conta que ficou sabendo do sequestro pelo próprio piloto, que o procurou por volta de 14 horas, no hangar da Casa Militar, no Aeroporto do Bacacheri, onde ele se preparava para viajar com o governador Roberto Requião. ''Quando soube da situação, resolvi ficar e aí já acionei o Grupo Tigre e a Polícia Federal. As investigações não pararam até encontrarmos o cativeiro'', conta. A notícia sobre o sequestro vazou para a imprensa no mesmo dia, mas a Folha de Londrina e os demais meios de comunicação não divulgaram nada para não atrapalhar as investigações.
De acordo com o delegado Riad Braga Farhat, do Grupo Tigre (Tático Integrado de Grupos de Repressão Especial) da Polícia Civil do Paraná, especializado em solucionar sequestros, que comandou a operação de resgate dos reféns, a família estava em uma casa alugada na Rua Doutor Simão Kosobudski, 1.750, no bairro Boqueirão. A casa havia sido alugada por seis meses, na última segunda-feira, por um dos membros da quadrilha, no valor de R$ 350,00 adiantados.
A família do piloto, segundo o delegado, não sofreu nenhuma agressão física na casa. Ao invadir o cativeiro, a polícia encontrou todos sem vendas nem amarras. Para o delegado, em nenhum momento os sequestradores desconfiaram que a polícia tinha sido acionada. Durante os três dias, entre o sequestro e o resgate dos reféns, o piloto conseguiu convencer os sequestradores sobre sua dificuldade em obter uma aeronave, uma vez que a sua estava em manutenção. Os sequestradores chegaram inclusive a depositar R$ 16 mil na conta dele para que alugasse outro helicóptero. Melo Viana foi escolhido pelos sequuestradores por ser um piloto que fazia manobras ''ousadas'' além de ser o único no Brasil com autorização para que pessoas pulassem de pára-quedas ou fizessem body jump de sua aeronave.

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