PCC busca parceria com as Farc
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sábado, 29 de março de 2008
Marcelo Godoy<br>Agência Estado 
São Paulo - O faturamento do Primeiro Comando da Capital (PCC) cresceu 511% em dois anos e meio. Mesmo com todo o esforço das autoridades no combate ao tráfico de drogas e à lavagem de dinheiro patrocinados pelo crime organizado, o exército de criminosos chefiado por Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, cada vez lucra mais. A organização, que já se havia transformado em atacadista no mercado de cocaína no País, agora dá os primeiros passos no tráfico internacional de entorpecentes e busca um acerto com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).
O primeiro encontro entre o PCC e as Farc aconteceu em janeiro. Vindos de São Paulo, os emissários foram recepcionados em Corumbá (MS) e levados até a fronteira com a Bolívia. Miguel, filho de Dom Eduardo, homem influente na região de Porto Quijaro, recebeu-os. Buscava-se garantir o fornecimento de 1 tonelada de cocaína por mês, além de fuzis e explosivos para atentados.
O relatório sobre a viagem foi apreendido pelos policiais das Rondas Ostensivas Tobias de Aguiar (Rota) em poder de Wagner Roberto Raposo Olzon, o Fusca, preso em 28 de fevereiro, em São Paulo. Fusca e seu ajudante foram os emissários enviados pela cúpula do PCC para tratar do acordo em nome da ''família'', como agora os chefões se referem à facção.
São quatro páginas escritas à mão em que o tesoureiro da facção conta detalhadamente a missão na Bolívia. Com o filho de Dom Eduardo, o PCC acertou a entrega de 50 a 70 quilos por mês de cocaína. O preço acertado foi de US$ 2 mil por quilo e mais R$ 1,5 mil de frete para cada ''peça'' transportada até São Paulo.
O contato entre a família e o cartel da droga boliviano seria feito por meio de um homem conhecido como John, ''que é amigo de Bombom''. Integrantes da inteligência policial de São Paulo tentam há meses identificar Bombom. Sabe-se que ele e Carlos Antônio da Silva, o Balengo, estão entre os mais importantes integrantes da facção em liberdade. Balengo é responsável por roubos, entre outras operações, e Bombom e Olzon cuidavam da contabilidade e do tráfico.
Faturamento
O crescimento dos lucros da organização é atestado em contabilidade apreendida em 28 de fevereiro com o Fusca. Ali, é possível verificar que, em 7 de janeiro, a facção fechou seu caixa dos 30 dias anteriores com R$ 4,89 milhões arrecadados.
Em 2005, quando policiais civis apreenderam a contabilidade da cúpula nas mãos de Deivid Surur, o DVD - que, mais tarde, foi obrigado pela facção a se matar na prisão -, as contas somavam R$ 800 mil mensais e preenchiam 18 páginas de caderno escolar. Agora, ocupam 33 páginas - quatro em forma de planilha.
As contas revelam que o PCC mantém um consórcio de advogados pagos para defender seus interesses. Há 21 profissionais da advocacia relacionados na contabilidade, com salários de até R$ 10 mil mensais.
Em 21 de fevereiro, as contas da facção registram um pagamento de R$ 30 mil como ''acerto'' (pagamento de propina). Outros R$ 20 mil foram pagos com a entrega de um carro. Há gastos de R$ 1,4 mil com ''casa alugada para paiol'' e o registro de prejuízos, como o de R$ 75,6 mil do ''molecote que foi em cana com 2.700 gramas de mercadoria''. O documento mostra que nem o crime está livre da violência. ''A cunhada (colaboradora da facção) foi roubada e levaram alguns objetos pessoais e os R$ 34 mil.''


