Há 40 anos, o comerciante Aluísio José Ferreira, 67, espera que o asfalto chegue ao Patrimônio de Guairacá (Zona Sul de Londrina). A pavimentação asfáltica não veio, mas o calçamento com pedras irregulares, que está sendo executado por uma empreiteira de Curitiba e bancada com recursos dos cofres municipais e estaduais, pelo menos ameniza o desconforto provocado pelo excesso de poeira e barro.
O trecho em frente aos estabelecimentos comerciais e de grande parte das casas do patrimônio já está pronto. Os moradores, porém, terão que ter paciência para ver as vias de acesso à localidade recobertas com as pedras irregulares.
O problemas é o atraso no cronograma de entrega por parte da Dang Construtora. Enquanto a prefeitura estuda a possibilidade de rompimento do contrato e abertura de nova licitação, quem vive em Guairacá continua a conviver com a falta de asfalto ou, ao menos, de um calçamento mais adequado.
''Antes, quando passava um caminhão, a gente tinha que correr para não se afogar em tanta poeira. Agora as pedras seguram um pouco. Mas deveria ter feito também o meio-fio, para que a gente pudesse construir a calçada'', reivindicou Ferreira.
Ele ainda acredita que o asfalto seria a melhor forma de solucionar a questão da poeira. A diferença de preço entre os dois sistemas de pavimentação, no entanto, explica a opção da administração municipal pelas pedras irregulares. Enquanto o quilômetro de massa asfáltica sai por R$ 350 mil, com as pedras o valor cai para cerca de R$ 90 mil. A expectativa é que nova licitação seja aberta no início do próximo ano.
''Infelizmente (o rompimento do contrato) representa um prejuízo para a prefeitura, já que o dinheiro empenhado para a obra volta para os cofres do município. Mas o prejuízo maior é da comunidade local'', afirmou o secretário municipal da Agricultura, Nilson Ladeia. Ele informou que, se for necessário, a administração pode buscar recursos federais para viabilizar a conclusão.
O engenheiro da Dang, Renato Leal, explicou que a pavimentação com poliedros é morosa porque exige o corte manual das pedras, E um problema enfrentado pela empresa é a dificuldade para contratar mão-de-obra especializada. O prazo inicial da obra, que começou em março, era de três meses, mas duas prorrogações já foram concedidas.
A estimativa de Leal é que a conclusão aconteça num prazo de 60 a 90 dias. ''Temos interesse em concluir a obra'', garantiu o engenheiro, que afirmou ainda que desconhece a possibilidade de rompimento do contrato.
O projeto inicial previa o calçamento de 3 quilômetros em Guairacá e cinco na Usina do Apucaraninha. No entanto, apenas 600 metros foram concluídos até agora. O custo total de R$ 600 mil é dividido entre as administrações municipal (40%) e estadual (60%).
A opção econômica, com as pedras irregulares, também tem defensores entre os moradores da localidade. A comerciante Joana D'Arc Francisco Brazão, 39, comenta que o pessoal do bairro está satisfeito com a obra. ''Pelo menos as pessoas com quem conversei'', disse.
A estudante Jéssica Patrícia Leal também elogia. Ela chegou a perder aula no início do ano porque o ônibus para Paiquerê teve dificuldades para entrar em Guairacá. Agora, aguarda que a obra seja concluída por completo para evitar que a vontade de estudar fique atolada na lama. ''Agora é mais difícil perder aula'', declarou.
Enquanto observa o ritmo lento de trabalho do calçamento, Aluísio Ferreira lamenta apenas que o avanço registrado na pequena Guairacá, de apenas 500 habitantes no patrimônio, também não ocorra na velocidade desejada. ''O telefone e a luz já chegaram por aqui. A única coisa que falta agora é o asfalto'', concluiu.

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