Maringá - Um filhote de pavão está recebendo cuidados especiais dos funcionários do Parque do Ingá - reserva nativa localizada no centro de Maringá. Dos três nascidos fora de cativeiro, apenas um sobreviveu e foi levado com a mãe para um reservado no recinto das aves. Um dos filhotes foi morto por um gavião, quando ainda estava no ninho natural, e outro por um tucano que conseguiu atacá-lo pela tela do recinto.
Desde o final do ano passado, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente determinou a soltura de algumas espécies com o objetivo de evitar o estresse pelo excesso de visitantes. O Parque do Ingá recebe cerca de um milhão de visitantes por ano.
Segundo a veterinária do parque, Evandra Voltarelli, a experiência com os pavões é uma das primeiras fora do cativeiro para que as aves se sintam mais à vontade em espaços naturais. Além dos pavões (são duas fêmeas e um macho), a diretoria do parque está observando a tentativa de procriação dos papagaios.
As siriemas são até agora, as que melhor se adaptaram em liberdade.
A veterinária explica que a reprodução em cativeiro é comum em alguns casos, mas no parque, a procriação se torna difícil por causa do estresse dos animais provocado pela maneira como os visitantes da reserva tratam os bichos. O público também dificulta o trato com os animais porque fornece alimentos impróprios como salgadinhos e doces.
Para Evandra, a falta de educação ambiental dos visitantes é um dos maiores problemas da reserva. A veterinária conta que as pessoas gritam, cospem ou cutucam os animais. ''Algumas pessoas vão ao parque com os instintos mais selvagens possíveis'', diz Evandra. ''Outras vão com o objetivo de alimentar os animais, prejudicando a saúde deles'', completa a veterinária.
Evandra lembra que a reprodução em cativeiro do cachorro-do-mato foi prejudicada porque a gritaria dos visitantes provocou o aumento de adrenalina na fêmea, alterando o processo de lactação. ''O leite secou e os filhotes morreram'', diz a veterinária.

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