Pausa para a saúde mental
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terça-feira, 29 de janeiro de 2019
Viviani Costa <br> Reportagem Local 

Permanecer em silêncio por alguns instantes, livrar-se de pensamentos negativos, arriscar uma postura não muito habitual e respirar profundamente ao ar livre. Foi durante a aula de ioga, no último domingo (27), que o aposentado Ademar Consalter lembrou a importância de alinhar corpo e mente para manter o bem-estar. "Acho que estou um pouco desequilibrado", constatou sorrindo por ter perdido o equilíbrio algumas vezes durante os exercícios.
A atividade foi realizada na praça Nishinomiya, próximo ao aeroporto (zona leste de Londrina). O evento promovido pela Unimed conscientizou as famílias sobre o Janeiro Branco, mês dedicado à saúde mental. Para o aposentado, aprender a se cuidar é o principal desafio. "Tenho me preocupado muito em me tranquilizar. Depois que aposentei, vi que tive uma vida profissional muito estressante. Então é muito importante me preocupar em dissolver essa situação que fica no subconsciente da gente", explicou. Consalter trabalhou como perito durante anos e hoje caminha todos os dias ao ar livre para deixar o estresse acumulado para trás.
A enfermeira Rosângela Ramalho também se juntou ao grupo no último domingo. "Tento manter o equilíbrio mental por meio da alimentação saudável e dos agradecimentos diários. Apesar da rotina, a gente precisa ter um bom equilíbrio para lidar com as pessoas. Temos que estar bem para cuidar bem do próximo", comentou. "Não foi muito difícil e foi bem prazeroso", contou o reparador de automóveis Claudinei Gonçalves após participar da aula gratuita.
A instrutora de ioga pelo coletivo Ganesha Ioga, Amanda Petri Martins, destacou que a prática é fundamental para equilibrar o corpo e a mente. "Tudo é uma questão de informação. Constantemente se fala sobre os cuidados com a beleza e a estética, mas poucos falam para cuidar da respiração, do pensamento e do equilíbrio mental. Esse processo de desinformação gera essa desconexão pessoal", frisou.
Dedicar parte do tempo para atividades de lazer e meditação, por exemplo, pode fazer a diferença na prevenção de doenças. Porém, a psiquiatra Fernanda Nedel destacou que o preconceito ainda é o grande vilão quando se trata de questões ligadas à saúde mental.
"Temos que entender que o nosso cérebro é um órgão como os outros. Se você tem pressão alta, você entende que isso pode fazer mal para o coração e entende que um dia você pode ter um infarto. Mas temos dificuldade em fazer essa relação com o nosso cérebro. Se a gente se coloca em situações estressantes e situações difíceis que o nosso cérebro tenta dar conta de toda aquela demanda, ele também pode ficar doente. Muitas pessoas ainda acham que as doenças mentais ou são de causa espiritual ou falta de vontade do paciente ou preguiça e até mesmo falta de caráter. Mas isso tudo não é verdade. Às vezes, a gente tenta dar conta de tudo e é isso que faz o nosso cérebro adoecer e cansar", explicou.
Praticar exercícios físicos (de preferência ao ar livre), ter uma alimentação saudável e uma rotina do sono, manter o contato com a natureza, fazer meditação e exercícios de respiração estão entre as atividades indicadas para cuidar da saúde mental. "Sempre que necessário, é importante procurar ajuda profissional, sem preconceitos, e seguir o tratamento corretamente", acrescentou a psiquiatra.


