Paulo e Fumio:
cumprimentos só
pelo telefone
Paulo Shigueru Tukazaki, de Rolândia, não consegue esconder a emoção ao falar sobre o casal de filhos que mora no Japão.
‘‘Seria muito bom se desse para confraternizar em família o Dia dos Pais. Mas sei que isso é impossível, pois eles (os filhos) estão bem longe.’’
Ele conhece muito bem a realidade dos dekasseguis, pois trabalhou lá durante 11 meses em 1991, dois anos e meio entre 93 e 95, e dois anos de 97 a fevereiro deste ano.
‘‘A vida lá é difícil. A distância é muito grande e uma realidade totalmente diferente da nossa. A única coisa que compensa é a financeira. Infelizmente não temos aqui as mesmas oportunidades de trabalho’’, lamenta.
Sobre a desagregação da família, Paulo diz que acontecem coisas absurdas. ‘‘Se a família não estiver bem estruturada, a ida para o Japão pode significar a perda total de vínculo. Temos muitos exemplos tristes nessa área, do marido que abandonou a família ou da esposa que trocou o esposo.’’
Na avaliação dele, alguns fatores contribuem para a desagregação familiar: ‘‘A solidão, a distância, pois são 24 horas de vôo e se está do outro lado do mundo. é algo que influência. E o próprio choque cultural com uma sociedade tão diferente da nossa também causa influência.’’
Paulo afirma que o trabalhador brasileiro é tratado como um peão, algo que provoca muita revolta.
‘‘Nós deveríamos valorizar mais o Brasil, mas só quando a gente está longe a gente tem esse sentimento.’’
Outro que tem o filho no Japão é José Fumio Nakamura. ‘‘Ao todo já são cinco anos que ele mora lá. No ano passado ele voltou, casou aqui e depois retornou com a esposa para lá. A gente tenta acostumar com essa distância, mas não é fácil, principalmente em ocasiões especiais como o Dia dos Pais’’. (E.A.)

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