Betânia Rodrigues
De Londrina
Especial para a Folha
Moradores do Jardim União da Vitória 6, na zona sul de Londrina, estão sem coleta de lixo desde o início do ano. A justificativa da prefeitura para a interrupção do serviço é a precariedade das ruas, contou o pedreiro desempregado Paulo Cesar Lázaro da Silva, que disse já ter feito várias reclamações à administração municipal. Mas, segundo ele, nenhuma providência foi tomada. ‘‘Dizem que o problema é a precariedade das ruas, mas como é que o caminhão de material de construção consegue passar por aqui?’’, questionou.
Apesar disso, os quintais e ruas estão limpos devido à fiscalização da Vigilância Sanitária. Nessas condições, a única maneira que a população encontrou para resolver o problema foi jogar o lixo na encosta dos barrancos ou queimá-lo. A dona de casa Diva Marcelino Rodrigues disse que em dias de calor e vento o mau cheiro é insuportável. Os mosquitos e pernilongos aumentam ainda mais o desconforto. ‘‘Tenho dois filhos pequenos que são obrigados a brincar dentro de casa para não se machucarem com o lixo. O cheiro às vezes é tão forte que provoca dor de cabeça’’.
O diretor de manutenção de serviços da Companhia Municipal de Urbanização (Comurb), Rafael Fuentes, disse que na terça-feira pediu à prefeitura a reparação das ruas do bairro com cascalho o mais rápido possível. O secretário de Obras, José Righi de Oliveira, disse que na próxima semana deverá iniciar o moledamento na área. ‘‘A pavimentação depende da regularização do assentamento. Sem isso, só podemos realizar ações paliativas para não incentivar as invasões’’.
Para arrematar o drama, os moradores afirmam que vivem em constante racionamento de água. Silva e Ponce disseram que para lavar roupa e tomar banho é preciso pedir aos vizinhos que desliguem suas torneiras, caso contrário é impossível. ‘‘No final de semana, quando todos estão em casa o problema é ainda mais sério’’.
Paulo Kishima, gerente metropolitano da Sanepar em Londrina, disse que o bairro é servido por duas ligações comunitárias provisórias e que o abastecimento deve ser feito em conjunto com a Companhia de Habitação de Londrina (Cohab-Ld), responsável pelos assentamentos urbanos. ‘‘São invasores que ocuparam uma área inadequada para habitação pertencente à Cohab. Mesmo assim permitimos que eles ficassem lá sem pedir a reintegração de posse. Nossa cota social já foi dada. Cabe à Sanepar fazer sua parte assim como faz a Copel, pois são elas que exploram o serviço, não é verdade?’’, disse o diretor-executivo da Cohab, Agnaldo José da Rosa.

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