Patrões e gerentes garantem: eles são eficientes na costura
Patrões e gerentes garantem:
eles são eficientes na costura
Da Redação
Empresários, gerentes de produção e chefes de recursos humanos não admitem, claramente, que os homens têm substituído as mulheres nas fábricas em consequência de faltarem menos ao serviço e de não possuirem alguns direitos trabalhistas, específicos para o sexo feminino. A qualidade da mão-de-obra masculina para a costura é tão boa quanto a feminina. As produtividades também se equivalem. A diferença é que o homem se apega mais ao emprego, tem mais medo da demissão e, por isso, se esforça mais e acaba faltando menos ao trabalho, avalia Marcos Roberto Pavanato (foto), diretor de recursos humanos de uma fábrica que tem cerca de 100 homens no total de 280 empregados.
Segundo ele, os homens - principalmente porque são mais jovens, entre 16 e 21 anos, e estão no primeiro emprego - se mostram mais abertos às mudanças tecnológicas e se adaptam mais facilmente às mudanças na linha de produção. As mulheres, porque já carregam vícios de anos de profissão, são mais resistentes ao novo. Isso é ruim para elas e para as empresas.
O empresário Farage Kouri - dono de uma fábrica que emprega aproximadamente 100 homens num total de 600 funcionários - credita o aumento da mão-de-obra masculina na indústria de confecções ao amadurecimento do ser humano. Hoje, acabou aquele preconceito machista de que esta ou aquela profissão é coisa de mulher. É um avanço importante. As pessoas já entendem que todo trabalho, desde que digno e capaz de prover o sustento da família, deve ser feito tanto por mulheres como por homens.
De acordo com Kouri, esse novo comportamento - normal nos Estados Unidos e países europeus há muitas décadas - traz um resultado bastante positivo também para as empresas. Pelo desafio de exercer uma nova profissão, os homens se superaram e conseguem bons índices de produtividade, algumas vezes melhores que os femininos, afirma o industrial. Além disso, os homens são caprichosos no serviço e se adaptam mais rapidamente a novas máquinas. A nossa empresa - por ser antiga e não praticar muita rotatividade da mão-de-obra - emprega ainda poucos homens, mas nas novas empresas os índices de homens já são altos e justificáveis.
O gerente de produção Paulo Humberto Costa, 55 anos de idade e 35 anos de profissão, explica que esta entrada da mão-de-obra masculina nas fábricas de roupas está ocorrendo tardiamente em Londrina e no Paraná. Em São Paulo, Minas Gerais e outros estados, esta mudança já vem ocorrendo nos últimos anos. E a chegada dos homens neste setor foi muito tranquila, sem traumas. A mão-de-obra masculina se adaptou rapidamente em todas as fases da produção, inclusive na parte de acabamentos, considerada a mais difícil, ressalta o gerente, que há pouco mais de um ano veio de São Paulo para trabalhar em uma fábrica londrinense.





