Patrões de dekasseguis visitam famílias no Brasil
PUBLICAÇÃO
sábado, 25 de novembro de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina 
Um grupo de 14 empresários japoneses chegou ontem, em Londrina, para visitar famílias de dekasseguis (descendentes que emigraram à procura de trabalho no Japão). Provenientes de diversas cidades do Japão, como Tókio, Kobe e Osaka, os empresários são presidentes e diretores de indústrias alimentícias, onde trabalham 65 funcionários londrinenses. Na bagagem os japoneses trouxeram fitas de vídeo com imagens dos dekasseguis em seu local de trabalho, presentes e lembranças, que seriam exibidos durante um jantar com os familiares, ontem à noite. Durante o jantar, os japoneses gravam mensagens das famílias para levar de volta. É a sexta vez que o grupo, denominado Associação Gonshakai, vem ao Brasil.
O japonês Taira Eijiro, presidente de uma empresa em Fujisawa, província de Kanagawa, disse que o objetivo do grupo é proporcionar maior bem-estar e integração com os funcionários. Segundo Eijiro, a saudade dos familiares pode afetar psicologicamente o funcionário, o que reflete no ritmo de produção. Trazemos notícias dos londrinenses que estão trabalhando. A família se tranquiliza e o funcionário também, assegurou Eijiro.
De acordo com o empresário, os japoneses estão se acostumando com os dekasseguis. São culturas diferentes, isso não se pode negar, mas o Japão precisa de mão-de-obra e está agradecido aos estrangeiros, comentou Eijiro. Para o empresário, os brasileiros são efusivos, os japoneses disciplinados, mas não há muitos problemas. Ele disse que não há preconceito contra os brasileiros, nem contra chineses, coreanos e filipinos. Existem, segundo ele, alguns casos de má conduta, mas isso é raro. Os dekasseguis estão unidos e são felizes, garantiu Eijiro.
A londrinense Tamiko Ueda tem quatro filhos (dois homens e duas mulheres) trabalhando há 10 anos no Japão. Tem dia que a saudade aperta, confessou. Tamiko participou do encontro com o patrão dos filhos no ano passado. Ontem à tarde, disse que aguardava ansiosa para ver a imagem dos filhos no jantar.
Sandra Saito, que tem uma cunhada no Japão, aprova a iniciativa dos empresários. São firmas que se preocupam com o operário. A despeito de reconhecer a preocupação das empresas, Sandra, que ficou dois anos trabalhando lá, não pretende voltar nunca mais. Os brasileiros, segundo ela, têm tratamento diferenciado. Apesar de todas as ressalvas, o Brasil é o melhor lugar do mundo para se viver. As dificuldades devem servir como estímulo para se lutar por esse país, disse.
Todos os anos centenas de brasileiros partem para o Japão, fazendo o caminho de volta de seus antepassados. O Consulado do Japão, em Curitiba, informou que não dispõe de números, desconhecendo o total de dekasseguis.


