Um grupo de 14 empresários japoneses chegou ontem, em Londrina, para visitar famílias de dekasseguis (descendentes que emigraram à procura de trabalho no Japão). Provenientes de diversas cidades do Japão, como Tókio, Kobe e Osaka, os empresários são presidentes e diretores de indústrias alimentícias, onde trabalham 65 funcionários londrinenses. Na bagagem os japoneses trouxeram fitas de vídeo com imagens dos dekasseguis em seu local de trabalho, presentes e lembranças, que seriam exibidos durante um jantar com os familiares, ontem à noite. Durante o jantar, os japoneses gravam mensagens das famílias para levar de volta. É a sexta vez que o grupo, denominado Associação Gonshakai, vem ao Brasil.
O japonês Taira Eijiro, presidente de uma empresa em Fujisawa, província de Kanagawa, disse que o objetivo do grupo é proporcionar ‘‘maior bem-estar e integração com os funcionários’’. Segundo Eijiro, a saudade dos familiares pode afetar psicologicamente o funcionário, o que reflete no ritmo de produção. ‘‘Trazemos notícias dos londrinenses que estão trabalhando. A família se tranquiliza e o funcionário também’’, assegurou Eijiro.
De acordo com o empresário, os japoneses estão se acostumando com os dekasseguis. ‘‘São culturas diferentes, isso não se pode negar, mas o Japão precisa de mão-de-obra e está agradecido aos estrangeiros’’, comentou Eijiro. Para o empresário, os brasileiros são efusivos, os japoneses disciplinados, mas ‘‘não há muitos problemas’’. Ele disse que ‘‘não há preconceito contra os brasileiros, nem contra chineses, coreanos e filipinos’’. Existem, segundo ele, ‘‘alguns casos de má conduta’’, mas isso ‘‘é raro’’. ‘‘Os dekasseguis estão unidos e são felizes’’, garantiu Eijiro.
A londrinense Tamiko Ueda tem quatro filhos (dois homens e duas mulheres) trabalhando há 10 anos no Japão. ‘‘Tem dia que a saudade aperta’’, confessou. Tamiko participou do encontro com o patrão dos filhos no ano passado. Ontem à tarde, disse que aguardava ‘‘ansiosa para ver a imagem dos filhos’’ no jantar.
Sandra Saito, que tem uma cunhada no Japão, aprova a iniciativa dos empresários. ‘‘São firmas que se preocupam com o operário.’’ A despeito de reconhecer a preocupação das empresas, Sandra, que ficou dois anos trabalhando lá, ‘‘não pretende voltar nunca mais’’. Os brasileiros, segundo ela, têm tratamento diferenciado. ‘‘Apesar de todas as ressalvas, o Brasil é o melhor lugar do mundo para se viver. As dificuldades devem servir como estímulo para se lutar por esse país’’, disse.
Todos os anos centenas de brasileiros partem para o Japão, fazendo o caminho de volta de seus antepassados. O Consulado do Japão, em Curitiba, informou que não dispõe de números, desconhecendo o total de dekasseguis.

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