‘‘Voltei porque aqui é a minha terra’’. Dita por Arvelino Correia, de 31 anos, a frase resume o sentimento que impulsiona a volta dos brasiguaios ao País natal. No final de junho, Correia deixou Santa Rita (a cerca de 120 quilômetros da fronteira), onde vivia havia 14 anos e trabalhava como bóia-fria, e se integrou ao Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) brasileiro.
Correia está acampado em uma área de 14,5 hectares pertencente à Campanha Nacional de Escolas da Comunidade (CNEC), em São Miguel do Iguaçu (43 km a nordeste de Foz do Iguaçu). A área foi invadida por brasiguaios comandados pelo MST no dia 21 de junho.
Insuflado pelo MST e pela Pastoral do Migrante, o sentimento de pátria alimenta a esperança dos brasiguaios retirantes de conseguir terra e uma vida melhor no Brasil. ‘‘Eles vão ficar em uma pátria estrangeira, na casa de um desconhecido, onde não têm documentos e nem emprego?’’, questionou a freira Maria Lourdes Vendrúsculo, coordenadora da Pastoral do Migrante de San Alberto.
A prória religiosa responde: ‘‘Não. É melhor voltar para sua pátria, a casa de sua mãe. Se é para sofrer aqui (no Paraguai), preferem sofrer lá.’’ E acrescenta: ‘‘O Brasil tem a obrigação de dar terra para esse povo sem demora.’’ ‘‘Eles estão voltando para ajudar o governo a cumprir a lei de reforma agrária no Brasil’’, ironizou Alfeu Genaro, coordenador estadual do MST na região Oeste.

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