Desde uma página arrancada de um livro na Biblioteca Pública, até roubos de computadores em escolas, os crimes contra o patrimônio municipal de Londrina agora estão sob a mira de câmeras e vigias. A prefeitura contratou uma empresa de segurança para proteger 226 locais, incluindo creches, postos de saúde, prédios de secretarias e até pontos turísticos. O trabalho vem sendo implantado gradativamente desde agosto.
O serviço terceirizado é visto pela prefeitura como um substituto para a Guarda Municipal, que era reivindicada por vários setores da sociedade. O secretário de Gestão Pública de Londrina, Jacks Dias, compara valores e diz que a vigilância particular é mais compensadora. ''Calculamos que seriam necessários pelos menos 600 guardas municipais para dar conta da cidade. Só com folha de pagamento, gastaríamos R$ 900 mil por mês'', diz. Já o contrato com a empresa curitibana Centronic, vencedora da licitação, foi fechado por R$ 346 mil mensais.
A segurança é feita por 70 vigilantes, aliados a câmeras e alarmes monitorados instalados nos imóveis públicos. Alguns locais também são equipados com circuito interno de TV, como a Biblioteca Municipal. Ela está sendo vigiada 24 horas por oito câmeras internas, com o objetivo principal de coibir furtos de páginas ou livros inteiros, delitos bastante comuns. As imagens ficam gravadas no sistema por até 15 dias.
''Na biblioteca, livro também é patrimônio público. E quando as pessoas percebem as câmeras, elas já pensam duas vezes antes de danificar o acervo'', explica o diretor de gestão de bens municipais de Londrina, Pedro Afonso Figueiredo. O circuito de câmeras também foi instalado em prédios que armazenam grande quantidade de materiais, como o Centrofarma e o Almoxarifado.
Os parques municipais Arthur Thomas e Daissaku Ikeda, ambos na Zona Sul, são os únicos locais protegidos por vigias armados. A atuação já ocorria há cerca de dois anos, mas agora os funcionários foram incorporados pela nova empresa de segurança contratada pela prefeitura. Márcio Carneiro Ribas, um dos três vigilantes que se revezam no Arthur Thomas, afirma que o trabalho é essencialmente preventivo. ''Rodamos o parque todo de motocicleta ou à pé. Não me lembro de nenhum crime cometido aqui, mas tem moleques que pulam o muro do parque e, se você der moleza, eles levam alguma coisa'', observa.
Outros dois pontos de grande movimento em Londrina que passaram a ser vigiados foram o Estádio do Café e o Ginásio de Esportes Moringão. O secretário de Gestão Pública afirma que 100% dos prédios públicos do Município foram contemplados no projeto de segurança, embora alguns tenham sido impedidos de receber os equipamentos devido à greve dos servidores municipais.
Já as praças públicas, pontos de lazer mais vulneráveis da cidade, ficaram de fora. Elas continuarão sendo alvos de assaltantes, vândalos, traficantes e usuários de drogas. Para Jacks Dias, de nada adiantaria ter vigias ou mesmo guardas municipais fazendo trabalho de rua. ''Eles não teriam poder de polícia'', alega. Na prática, têm sim: em municípios com mais de 50 mil habitantes, os guardas são autorizados a portar armas de fogo após passar por treinamento e podem dar voz de prisão a criminosos.
Uma das grandes vantagens do contrato feito com a empresa de vigilância, destaca o secretário, é o seguro que garante reposição de tudo que for roubado dos prédios públicos. ''Isso já está incluso no preço mensal do contrato e representa uma economia brutal para a prefeitura. Antes, a gente tinha que comprar tudo de novo quando havia um roubo. Agora, o seguro cobre até explosões, incêndios e outros desastres'', afirma.

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