Patrimônios afetivos de Londrina
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quarta-feira, 11 de setembro de 2013
Celso Felizardo<br>Reportagem Local 
Londrina - Cinco conhecidos colégios estaduais de Londrina são objetos de uma pesquisa acadêmica que pretende determinar a relação entre infraestrutura, arquitetura escolar e os processos de ensino de aprendizagem. O professor da Universidade Norte do Paraná (Unopar) e doutor em História, Fábio Luiz da Silva, concluiu recentemente a pesquisa histórica, primeira etapa do estudo.
Nas próximas semanas ele e os professores Fabiane Muzardo e Julho Zamariam começam a pesquisa de campo para levantar as condições da instituições - Hugo Simas, Marcelino Champagnat, Vicente Rijo e Olympia Moraes Tormenta. Fatores como a cor escolhida para a pintura, temperatura dentro das salas, proteção contra a luz do sol serão analisados. Silva, que lecionou na rede estadual por cerca de 10 anos, expõe que o improviso na educação é histórico e remonta desde a chegada da família real no País.
O professor retomou os primeiros anos da fundação de Londrina com a inauguração do Colégio Hugo Simas, em 1937. Construído no estilo art deco, o prédio foi o primeiro grupo escolar da cidade e nasceu da necessidade de um prédio que atendesse a demanda do alto crescimento da população de Londrina. Antes havia apenas a Escola Isolada, uma casinha de madeira (onde hoje fica o Edifício Júlio Fuganti, no centro) que funcionava com duas turmas multiseriadas.
"Eram pessoas que chegavam de muitos lugares e traziam muitas crianças que precisavam estudar", contou Silva. Da estrutura original do Hugo Simas, apenas a fachada foi preservada. Na última reforma, que começou em 1999 e foi entregue em 2002, muitos elementos da arquitetura original se perderam. Diretor do colégio há oito anos, Fernando Munhoz Neri reclama principalmente dos problemas de acústica. "As janelas de algumas salas de aula dão direto para a quadra. O barulho incomoda bastante", revela.
Originalidade
A diretora do Patrimônio Histórico Municipal, Vanda de Moraes, considerou ruim o resultado da reforma. Ela explicou que nenhum colégio de Londrina é tombado, mas que os tradicionais são abrangidos pela Lei de Preservação. Apesar de não haver lei que obrigue a comunicação em casos de reforma, Vanda recomenda os diretores que procurem o departamento. "Estamos à disposição para auxiliar na reforma e garantir a originalidade. Nossos colégios são patrimônios afetivos e não devem ser descaracterizados", afirmou.
Na década seguinte, em 1946, foi inaugurado o Ginásio de Londrina, atual Colégio Marcelino Champagnat, na área central. O prédio em estilo neo-colonial também passou por reformas ao longo das décadas, porém as características foram mantidas. "Ao contrário do Hugo Simas, as obras no Champagnat não foram agressivas. É claro que a modernidade exige algumas mudanças, mas a essência foi mantida", comparou Vanda. Em compensação, o prédio está mais deteriorado. O diretor do Champagnat, Claudecir Almeida da Silva, contou que última reforma foi em 2000. "Já está na hora de outra reforma. Algumas paredes e madeiramentos estão avariados. Se não houver manutenção, a situação pode se tornar irreversível", alertou.
Da época de ouro de Londrina, surgiu o Colégio Vicente Rijo, em 1966. A estrutura modernista foi inaugurada como a segunda maior escola do Paraná. As aulas, porém, começaram antes do término das obras. "Mais um sinal do improviso que compromete a educação", alfinetou Silva. Na mesma fase em que, segundo o professor, Londrina tinha o desejo de ser moderna, foi entregue o Terminal Rodoviário.
Recessão
Nos anos 1970, nota-se uma despreocupação com estilo e arquitetura. Os prédios se tornam mais simples, padronizados. É deste período o Colégio Polivalente, na zona oeste. Inaugurado durante o regime militar, marca o fim do milagre econômico e o início da recessão. "Era o fim do café, afetado pela geada de 1975. O êxodo rural avançou e com isso surgiu o crescimento da periferia de Londrina", contextualizou. "Com cursos profissionalizantes, o Polivalente é criado para inserir os novos moradores da cidade no mercado de trabalho", completou.
O último colégio analisado, o Olympia Morais Tormenta, do fim da década de 1980 e início de 1990, é construído em três blocos, todos com estilos diferentes. Silva explica que o colégio foi construído para atender o crescimento da zona norte da cidade. "Não há preocupação arquitetônica como nos primeiros colégios, que eram construídos para serem importantes, imponentes".
Segundo o professor, a preocupação com a adequação dos edifícios às condições pedagógicas e de higiene podem ser encontradas desde o século 19. As soluções arquitetônicas para os problemas educacionais, no entanto, variaram conforme as teorias pedagógicas, propostas políticas e tendências construtivas.
Com o passar dos anos e o aumento da criminalidade, os colégios precisaram ser adaptados. Muros altos, grades, câmeras de vigilância. "Temos que avaliar o impacto desta mudança para os alunos e tentar encontrar alternativas, se for o caso", sugeriu. Os resultados do estudo devem ser divulgados até o início do ano que vem.


