Patrimônio Três Bocas quer telefone
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sexta-feira, 28 de setembro de 2001
Célia Guerra<br> De Londrina 
A falta da telefonia fixa vem causando transtornos para os moradores do patrimônio Três Bocas, zona rural de Londrina. Para as mais de 600 famílias que vivem na região da Usina Três Bocas o uso do telefone é restrito a 23 propriedades que possuem o Ruralfone - sistema de celular fixo. Isso porque o custo de instalação dessa modalidade é elevado, cerca de R$ 1,2 mil, pois exige equipamento de transmissão e antena.
Ontem um grupo de moradores esteve na Sercomtel reivindicando a inclusão da região no sistema de telefonia urbana, no qual a taxa para uso da linha custa apenas R$ 20,00. Os moradores protestam que o patrimônio é classificado como zona urbana para cobrança de impostos. ''Pagamos o IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) e até as taxas de iluminação pública e de coleta de lixo, que não são oferecidos. Por que não podemos ter telefones?'', questionou Maria Lúcia Gomes, da associação comunitária.
Outra integrante da associação, Joelma Carvalho, disse que a região do Três Bocas cresceu muito nos últimos anos, com loteamentos de chácaras. Muitos desses lotes são ocupados por pessoas idosas, que moram sozinhas. ''Quando ficam doentes não têm como pedir socorro'', destacou.
O diretor de Engenharia e Operações da Sercomtel, Hans Muller, que atendeu os moradores, informou que a região está fora da Área de Tarifa Básica (ATB) da empresa. A sua inclusão nessa modalidade exigiria a instalação de um estrutura de telefonia fixa, com equipamentos de comutação, postes e cabos - tanto da rede de metais quanto de fibra ótica. Pesquisa da Sercomtel, feita em outubro do ano passado, apontou a necessidade de investimentos de aproximadamente R$ 600 mil.
Muller se comprometeu em dar uma resposta à reivindicação no dia 19 de outubro. Para isso, a partir de segunda-feira a Sercomtel fará um levantamento dos interessados em telefones, além de um estudo sobre as instalações necessárias.
O gerente de Tributação Mobiliária da Secretaria de Fazenda, Alexandre Alberto Tronin, argumentou que a classificação do patrimônio Três Bocas como área urbana é apenas para os critérios de cobrança de impostos e taxas, o que não obriga a Sercomtel a utilizar o mesmo critério.


