A tragédia causada pelo fogo que destruiu parte do Teatro Ouro Verde, no Centro de Londrina, evidenciou o enorme carinho que os londrinenses nutrem por aquele espaço cultural. Além das manifestações de afeto e desolação por parte de artistas e produtores culturais, dezenas de pessoas se revezaram no entorno do imóvel demonstrando em silêncio seus pesares pelo ocorrido. O fato também evidenciou a preocupação com o estado de conservação dos outros três imóveis da cidade que integram o Patrimônio Históricos Estadual.
Esta também é uma das preocupações do Conselho de Arquitetura e Urbanismo do Paraná (CAU/PR), que defende a realização de um levantamento para verificar a situação dos imóveis tombados. ''É fundamental que tenhamos conhecimento exato sobre a atual situação dos bens tombados. É preciso levantar desde questões de segurança, até arquitetônicas, para que seja garantida a preservação dos imóveis tombados em boas condições e, principalmente, respeitando os projetos originais'', explica o presidente do CAU/PR, Jeferson Dantas Navolar.
De acordo com a secretaria estadual de Cultura, existem mais de 180 tombamentos históricos e culturais no Paraná. ''O Estado foi pioneiro criando em 1952 a segunda lei estadual de tombamento do Brasil'', destaca Rosina Parchen, coordenadora estadual de Patrimônio Cultural.
Ela destaca a importância do tombamento e diz que a conservação dos patrimônios históricos é responsabilidade tanto do Estado quanto dos municípios. ''É um forma de garantir que a nossa história será preservada para as gerações futuras. Como são muitos tombamentos em todo o Paraná, é impossível o governo administrar tudo sozinho. Por isso, a fiscalização dos patrimônios cabe também às prefeituras onde eles se encontram'', diz Rosani.
Em Londrina, além do Teatro Ouro Verde foram tombados como patrimônio histórico e cultural pelo governo do Estado a Praça Rocha Pombo, a antiga Rodoviária, onde hoje funciona o Museu de Arte (ambas na Área Central), e o palacete que pertenceu à família Celso Garcia Cid, na Avenida Higienópolis.
O museu e a praça foram tombados em 1974. A antiga Rodoviária é considerada a primeira construção modernista do Interior o país. O prédio foi construído por dois importantes representantes da arquitetura modernista brasileira, Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi. Tombado em 1999, o teatro também é uma obra de Artigas e Cascaldi. O palacete foi tombado em 2011.
Características
Na avaliação da diretora municipal de Patrimônio Histórico de Londrina, Vanda de Moraes, os imóveis tombados na cidade estão em bom estado de conservação. ''Existe um desgaste natural causado pelo tempo, já que são imóveis com mais de 60 anos. Porém, há uma grande preocupação com a conservação destes bens. Vale lembrar que o tombamento histórico visa garantir a preservação das características originais dos imóveis e impede que sejam realizadas obras que alterem sua estrutura arquitetônica'', ressalta.
Em uma breve visita aos imóveis tombados em Londrina a reportagem da FOLHA constatou o desgaste na pintura dos arcos da antiga Rodoviária da cidade, piso descolado na calçada, mato alto e janelas deterioradas. ''Existe um projeto de restauração para esse prédio que está em fase final de avaliação. A obra está orçada previamente em cerca de R$ 2,2 milhões'', revela Vanda.
Já na Praça Rocha Pombo, a situação é de lixo, mato alto e calçadas quebradas. O único imóvel tombado que não apresenta avarias é o antigo palacete da família Celso Garcia. A diretora municipal de Patrimônio Histórico de Londrina incentiva as pessoas a denunciarem qualquer situação estranha encontrada em bens públicos, tombados ou não. ''As denúncias podem ser feitas à polícia pelo 190 ou então à Secretaria de Cultura pelo (43) 3339-4790'', destaca Vanda.

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Patrimônio requer manutenção constante
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