Curitiba

Arquivo FolhaCasa foi abandonada ano passado, após anúncio de privatização da RFFSAArquitetos e engenheiros da Secretaria de Estado da Cultura estão fazendo uma avaliação dos estragos na Casa Ipiranga, patrimônio da Rede Ferroviária Federal construído no final do século passado e depredado por vândalos.
Segundo o coordenador do Patrimônio Natural do Estado do Paraná, Henrique Schmidlin, a casa poderá ser restaurada com recursos da fundação alemã WWF (que vai financiar um projeto de conservação do Caminho do Itupava, também na Serra do Mar, orçado em R$ 700 mil). Ainda não há previsão para a liberação dos recursos.
Uma avaliação preliminar dos arquitetos da secretaria estimava os gastos com a reforma em R$ 300 mil mas, segundo Henrique Schmidlin, o custo deve ser menor. ‘‘Os engenheiros que estiveram lá disseram que as obras serão simples, já que a estrutura da casa é muito boa.’’
A Casa Ipiranga foi abandonada no segundo semestre do ano passado, após o anúncio de privatização da RFFSA pelo governo e a consequente redução no número de funcionários.
Antes da depredação, a residência era mobiliada e contava com biblioteca, lareira, adega e até louças de cristal com a logomarca da Rede em alto relevo. O local servia como moradia dos engenheiros de linha e nos últimos anos era utilizada para reuniões de diretores e funcionários da Rede.
A casa é um dos pontos do Caminho do Itupava, que sai de Quatro Barras e cruza a Serra do Mar até chegar em Morretes. O cenário atual é de destruição. Da cerca ao redor da obra, resta apenas o portão. Grande parte das telhas já foi arrancada. Os móveis foram quebrados e alguns jogados pela janela. Uma fogueira armada no chão deixou um buraco no piso de madeira.
A depredação ocorreu um pouco antes do tombamento da construção. O pedido de tombamento foi feito pela Secretaria Estadual de Cultura e iria ser oficializado no final do ano passado, mas a destruição do local inviabilizou o processo.
Schmidlin explica que, como a Casa Ipiranga não havia sido tombada antes dos atos de vandalismo, não se pode exigir da Rede a restauração.
Após a reforma, a casa poderá fazer parte do projeto de conservação do Caminho do Itupava. O imóvel serviria como um ponto de parada para turistas, com informações históricas sobre a construção e o caminho.

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