Patrimônio está se perdendo
Casas de madeira, alvenaria e concreto armado. Segundo a professora de História da Arquitetura da Unifil, Juliane Suzuki, a história das residências antigas de Londrina divide-se em três fases: a primeira, nas décadas de 30 e 40, período da colonização, as casas são predominantemente de madeira; já na segunda, final dos anos 40 e início dos 50, o material é alvenaria; a terceira fase, anos 50 e 60, marca a entrada do concreto armado e a arquitetura inspira-se nas construções de Brasília.
De acordo com Juliane, as casas da primeira fase foram construídas precariamente por colonos na tentativa de ocupação rápida dos lotes que estavam sendo comercializados. Já na década de 40 as casas de madeira ostentam uma carpintaria mais elaborada, afirma a professora. Concomitantemente, aparecem as primeiras construções em alvenaria, muitas em alto padrão (período áureo do café). ''A madeira passou a ser considerada material pouco nobre. Os proprietários dessas residências tiveram a pretensão de imitar os casarões burgueses de São Paulo. A cidade começa a se urbanizar e a se apropriar da arquitetura das grandes cidades'', explica Juliane.
Nos anos 50 ocorre a entrada do concreto armado e, conforme a professora, as casas inspiram-se na arquitetura de Brasília. ''As formas são sinuosas e os telhados de cerâmica invertido. Nas casas de classe média aparecem as edículas'', exemplifica.
Segundo Juliane, a verticalização demoliu casas antigas e com elas boa parte do patrimônio arquitetônico local. ''Infelizmente as construções que substituíram as antigas casas não têm relevância do ponto de vista arquitetônico porque são de qualidade inferior'', argumenta. (C.V)





