Passou a Semana da Pátria, mas as sibipirunas ainda não se deram conta. Nas ruas de Londrina, pelas calçadas e canteiros centrais, um festival de folhas e flores verde-amarelo, como bandeiras despregadas. O verde exibe as cores da bandeira nas folhas tenras, muito verdes, recém-nascidas. Na ponta dos galhos, como no alto de mastros, os pendões, com formato de pinhas, explodem em amarelo-ouro. O inverno vai se despedindo no céu vidrado, azul da cor de anil. Para completar o quadro, no céu há muito mais do que as 27 estrelas da bandeira. Sem ligar para o fim da Semana da Pátria, as estrelas cintilam sua magnitude aqui e ali, particularmente a constelação de Órion, que pode ser vista a olho nu.

No inverno colorido, pouco sisudo, próprio de países tropicais, a cor da bandeira nunca deixou de aparecer. Antes das sibipirunas eram os
ipês-amarelos. Em muitos pontos da cidade, particularmente na Rua China, Jardim Igapó, zona sul da cidade, eles amarelaram as calçadas. Ficaram que era só tronco, galho seco e cachos de flores. Caíam as flores sobre as calçadas, dando trabalho para os varredores, mas fazendo o inverno menos frio.

O branco pintado das estrelas esteve presente, há poucos dias, na Avenida Bandeirantes, área central. Das janelas do Hospital Evangélico, das clínicas e farmácias do local ainda podem-se ver as flores dos ipês-brancos, confundindo-se com os jalecos das enfermeiras. Efêmeras, as flores estiveram por alguns dias sobre os carros estacionados na avenida e distraíram até os motoristas mais atentos. Foram poucos dias de ipês em flor, mas eles tiveram mais do que os 15 minutos de fama. Prometem, entretanto, mais florada para o inverno do ano que vem.

Na bandeira não tem, mas a pátria está cheia de outras cores. O rosa-choque das azaléias, que se escancaram nos canteiros, está na Universidade Estadual de Londrina (UEL) e é aula prática para os futuros físicos, que vêem nelas a prova da gravidade do planeta. As flores no chão, para eles, são como as maçãs caídas, que um dia foram observadas pelo físico inglês Isaac Newton. Para os químicos, o enigma da cor. Que rosa-choque é esse que pode até ser imitado, mas nunca superados em tubos de ensaio, pensam os futuros químicos, debruçados sobre fórmulas?

Na Avenida Dez de Dezembro, na altura da Rua Finlândia, Jardim Igapó, durante a Semana da Pátria, uma empresa construiu um mastro imenso e ostentou sobre ele uma bandeira do Brasil. Passada a Semana Cívica, a bandeira foi dobrada e deve estar guardada em algum armário, à espera do próximo dia em que estará hasteada. Ficou o mastro e o foco de luz que ainda o ilumina durante a noite. Foi-se a Semana da Pátria, mas ficaram as sibipirunas, pintadas de verde-e- amarelo. Foi-se a semana, mas ficaram os ipês, amarelos e brancos. Foi-se a semana, mas ainda se vê o ''lábaro que ostentas estrelado''. Despede-se a semana, mas fica na cidade a Pátria, ''salve, salve''.

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