Bebel Nepomuceno
Da Agência Estado
Consultor de mais de 600 empresas, dentre elas IBM, Petrobras, Xerox e o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), o economista Marco Aurélio Ferreira Vianna prevê, no futuro, o fim do emprego ortodoxo.
A característica mais marcante do profissional da era que está por chegar, garante ele, será o fato de que esse profissional ‘‘será patrão de si mesmo’’. O impacto, assegura Vianna, será grande, pois as pessoas não estão preparadas.
Além da quebra do paradigma do emprego tradicional, Marco Aurélio Vianna enumera o aumento da expectativa de vida do homem e a chegada ao poder da geração ‘‘X’’ ou baby busters, como algumas das profundas revoluções que balançarão a história da administração de empresas.
Por geração ‘‘X’’ ou baby busters entenda-se os seres humanos nascidos entre 1965 e 1981, uma geração que, diga-se de passagem, desenvolveu-se num ambiente de solidão – 40% dos baby busters americanos são filhos de pais separados –, mas também de evolução tecnológica.
No caso do Brasil, esses futuros líderes conviveram, se não lado a lado, bem próximo da violência, das drogas e da pobreza e têm sérios questionamentos sobre o exercício do poder.
Individualista, por ter passado a maior parte do tempo em casa, sozinha, essa geração terá menos lealdade e comprometimento para com as organizações e instituições (depois de ter visto seus pais triturados pela reengenharia e pelos PDVs ou aposentados precocemente), e questionará fortemente o patrão, com tendência a rejeitar a ordem, a autoridade e o totalitarismo.
Apesar do quadro não ser dos mais animadores, Marco Aurélio Vianna não vê motivos para preocupação. Pelo contrário. A liderança baby busters, que estará chegando ao poder dentro de cinco a 10 anos, será, segundo Vianna, mais participativa, terá uma preocupação social maior e buscará mais qualidade de vida.
‘‘Quando a geração ‘X’ assumir o poder, é possível que, sob o contexto de um drástico aumento de produtividade pela evolução tecnológica, ela venha a formar um grande pacto pela vida e estabelecer a semana de quatro dias de trabalho’’, prega o consultor em um dos seus muitos artigos escritos para revistas especializadas em recursos humanos e desenvolvimento de organizações.
Algumas mudanças, como a supressão do papel e o fim da burocracia, deverão chegar às empresas junto com a geração ‘‘X’’. Marco Aurélio Vianna acredita que a aversão dos futuros líderes às organizações é que levará ao fim do emprego ortodoxo.
Ele estima que nas primeiras décadas do próximo século haverá uma explosão de pequenos negócios. O despreparo fará com que muitos naufraguem, principalmente porque, na qualidade de patrão, ele precisará trabalhar muito mais do que quando era empregado.
Presidente do Instituto MVC (Vianna Costacurta Estratégia e Humanismo), Marco Aurélio tem uma espécie de decálogo do empreendedor de sucesso que inclui regras como: ter paixão pelo negócio com o qual se vai trabalhar; escolher um ramo, setor ou produto que a pessoa consiga fazer muito bem; não buscar resultado e lucro rápidos; ter persistência e capacidade de tentar de novo caso não dê certo; ter o foco no cliente; dispor de uma base técnico-financeira mínima e possuir iniciativa que ‘‘beire a cara-de-pau’’.
Mas e os que não se aventurarem pelo empreendimento próprio, que futuro lhes é reservado? Para Marco Aurélio Vianna, empreendedor ou empregado, o profissional do futuro precisará ser polivalente e incorporar o conceito de educação permanente.
‘‘Os diplomas deveriam conter prazo de validade ou a inscrição produto perecível, para obrigar seu portador a estar em permanente atualização’’, brinca ele, observando que, além de estar preparado para viver mais e, consequentemente, trabalhar mais, o profissional do futuro terá várias vidas profissionais. ‘‘O executivo precisará também ser digitador, o jornalista terá que ser também fotógrafo e motorista.’’

NÚMEROS
- A cada ano, segundo dados de organismos internacionais, cerca de 40 milhões de pessoas, em todo o mundo, ingressam no mercado de trabalho, em busca do primeiro emprego
- Segundo estimativas do IBGE, entre 2010 e 2020 quase sete em cada dez habitantes brasileiros estarão em idade de trabalhar
- Projeções feitas por economistas da Universidade Federal de Minas Gerais revelam que, em 2010, 127,8 milhões de pessoas (68% da população total) terão de 15 a 64 anos e, desse total, 88,3 milhões estarão trabalhando ou procurando empregoChegada da geração ‘‘X’’ – aquela dos nascidos entre 1965 e 1981 e que se desenvolveram num ambiente de solidão – prenuncia o fim do emprego ortodoxo
Kraws Penas/Arquivo FolhaVAZIOAmbientes automatizados como o da foto terão a presença de poucos seres humanos no futuroArquivo FolhaEMPREGOSEntre 2010 e 2020 quase sete em cada dez habitantes brasileiros estarão em idade de trabalhar

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