São Paulo - Pastores estão fazendo o balanço dos estragos que a prisão de Sonia e Estevam Hernandes, fundadores da Igreja Renascer em Cristo, causa à imagem dos evangélicos. Mesmo preocupados com o potencial do episódio para realimentar preconceitos, há quem perceba uma boa oportunidade para diferenciar o ''joio do trigo''.
''Para quem não conhece a imensa diversidade do meio evangélico, um escândalo desses acaba respingando em todo mundo'', avalia o pastor Ricardo Gondim, presidente da Assembléia de Deus Betesda, fundada em 1981, em Fortaleza (CE). ''Até porque em igrejas como a Renascer, que têm mídia, você vê a TV Gospel funcionando como se nada tivesse acontecido, numa atitude cínica, quase de desdém.''
Para Ricardo Agreste, pastor da Comunidade Presbiteriana Chácara Primavera, em Campinas (SP), os prejuízos são pesados. ''Este caso fortalece a visão do público de que pastores são indivíduos sem caráter, que fazem uso da boa-fé e da ingenuidade das pessoas para construir impérios eclesiásticos e fortunas pessoais'', lamenta.
Mesmo assim, alguns líderes celebram a situação como chance para se diferenciar as denominações protestantes históricas (como batistas, metodistas e presbiterianos) e Igrejas pentecostais (como a Assembléia de Deus) do neopentecostalismo.
''As pessoas, talvez, comecem a perceber que as premissas da Renascer e congêneres são falsas'', diz Gondim. Poucos acreditam, no entanto, que a Renascer perca fiéis.
A reação da Renascer é explicar o que aconteceu com os fundadores da Igreja, invocando textos bíblicos que falam sobre perseguição, principalmente a segunda carta de Timóteo: ''Todo aquele que quiser viver piedosamente em Cristo Jesus padecerá perseguições''.

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