Pastoral tem trabalho de apoio aos mais velhos
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de março de 1997
Da Redação 
A regulametação da lei 8.842 de 1948, concluída no ano passado, definindo uma política nacional do idoso, determina, entre outras coisas, que o idoso deve estar efetivamente representado nas associações, conselhos municipais de todas as áreas e demais instituições. Mas se não houver movimentos que conscientizem o idoso de seus direitos, a lei não vai passar de um monte de palavras frias de papel, alerta o gerontólogo Flávio da Silva Fernandes.
A lei foi resultado da mobilização e reivindicações dos grupos organizados que trabalham a questão do idoso e consequência direta do primeiro encontro nacional para discutir o tema, realizado em 1976. O médico aposta na Igreja Católica para levar à frente os programas de conscientização. Ele explica que Igreja é a primeira em credibilidade junto aos idosos, está próxima a eles e conhece sua realidade. A Pastoral da 3ª Idade tem realizado trabalhos excelentes e pode ampliá-lo ainda mais. Fernandes acha que qualquer proposta de conscientização precisa levar em consideração o núcleo onde mora o idoso, os costumes e as necessidades dessa região.
O movimento da Pastoral é pioneiro, começou no Paraná, e agora é seguido em outros estados. Se a iniciativa tem sido, até agora, só da Igreja Católica é porque as demais religiões ainda não despertaram para a necessidade de assumir seu papel junto aos idosos.
O médico geriatra e coordenador da Pastoral da 3ª Idade em Cornélio Procópio, João Batista de Lima Filho, também acredita na força da igreja no trabalho de conscientização. Quando o padre fala, a comunidade ouve e dá peso. Daí a importância das informações passadas através dela, reforça. A primeira Pastoral do idoso foi criada em Cornélio.
Lima Filho anuncia também um projeto que será lançado pela Pastoral da 3ª Idade ainda este ano. A idéia é capacitar o idoso para atividades nas quais ele possa se sentir útil e realizado. O primeiro será um curso de ajuda geral do idoso no lar. João Batista Filho explica que o tema do curso foi escolhido porque um dos principais problemas alegados pelos familiares é a dificuldade de cuidar de seus idosos.
O curso vai capacitar os idosos para que cuidem de outras pessoas da terceira idade, prestando um serviço gratuito à comunidade. A função destes grupos, afirma o médico paranaense, será o de promover a solidariedade e integração na comunidade onde os idosos moram, criando o que ele chama de família do quarteirão.
Um estudo feito pela própria Pastoral mostra que 30% dos idosos trabalham, na maioria das vezes, cuidando de crianças. Temos de mudar a idéia da comunidade e do próprio idoso de que ele não tem capacidade para atuar e ser útil na comunidade. E o único jeito é mostrar, na prática, do que o idoso é capaz.
(Célia Baroni)


