Pastoral reduz a mortalidade infantil
Pastoral reduz a mortalidade infantil
Perto de completar 14 anos, a Pastoral da Criança, lançada em Florestópolis (Norte do Estado) pela Igreja Católica para eliminar a mortalidade infantil, se espalhou pelo País. Hoje, colhe frutos em 2.563 municípios brasileiros - 282 deles no Paraná. Soluções baratas de combate à desnutrição fazem escola em comunidades carentes.
Uma das soluções é a farinha multimistura, que surgiu em Apucarana, garantindo a recuperação de crianças com problemas de desnutrição. Mães desinformadas são acompanhadas por voluntárias em Guarapuava, onde a maior dificuldade é a socialização das famílias. Pastoral da região Oeste conseguiu reduzir a desnutrição infantil para 3%
Alexandre Sanches
Florestópolis
Marcos Borges A redução dos índices de mortalidade infantil em várias regiões do Brasil se deve, em grande parte, às ações desenvolvidas pela Pastoral da Criança, mantida pela Igreja Católica. A pastoral foi criada em setembro de 1983, em Florestópolis (norte do Paraná), como projeto piloto para reduzir o alto índice de mortalidade infantil, que na época, chegava a 127 mortes antes da criança completar um ano de vida para cada grupo de mil nascidas vivas. O projeto foi elaborado pela médica Zilda Arns Neumann, consultora da Unicef - Fundo das Nações Unidas para a Infância.
Às vésperas de comemorar 14 anos, a Pastoral da Criança está organizada em 2.563 municípios brasileiros e em processo de implantação em países latino-americanos e africanos. Por causa dos excelentes resultados, o programa teve o reconhecimento da Unicef. A coordenação nacional da pastoral está estruturada em Curitiba.
No Estado, a pastoral funciona em 282 municípios. Atuam nela mais de 13 mil líderes comunitários, que acompanham 435 mil crianças de até 6 anos, 18.595 gestantes e 320 mil famílias. Segundo a coordenadora da pastoral no Paraná, irmã Terezinha Tortelli, a mortalidade infantil até 1 ano de idade vem sendo paulatinamente reduzida. Em 1994, era de 32 por mil nascidos vivos, no ano seguinte 19, e em 96 limitou-se a 15.
Hoje, o quadro em Florestópolis é diferente. No ano passado, das 206 crianças nascidas vivas, morreram apenas quatro, com idade entre 0 e 6 anos. Nenhuma por desnutrição ou desidratação, comenta a coordenadora do programa no município, Regilândia da Rocha Petile, 22 anos.
Odair StraliottiAlegriaCrianças atendidas pela pastoral da criança em Florestópolis (acima): vitória sobre a desnutrição virou exemplo nacional de assistência à infância. Meninada faz refeição reforçada com a farinha multimistura, em ApucaranaCom a Pastoral da Criança, Florestópolis ganhou muitos benefícios, como o centro comunitário e a vaca mecânica. Quando o município ainda apresentava altos índices de desnutrição, foi criado o Centro de Desnutrição, que atendia crianças 24 horas por dia. Aos poucos ele foi sendo desativado porque já não era mais preciso devido o baixo nível de desnutrição das crianças, conta Eunice Vicente Cardoso, 45 anos, que atuou como coordenadora da Pastoral durante 13 anos e hoje é líder comunitária. O centro foi transformado em creche e escola, mantida pela Igreja.
O município de Florestópolis está dividido em 14 setores de atendimento, assistido por 80 líderes - voluntários que fazem o acompanhamento de gestantes e crianças de 0 a 6 anos - que visitam as residência pelo menos uma vez por mês.
Durantes as visitas, as líderes também orientam as famílias a aproveitar melhor o espaço físico das casas, plantando verduras e legumes para reforçar a alimentação. Também distribuem um complemento alimentar com cascas de frutas e verduras torradas e desidratadas, mas que mantêm todas as vitaminas e nutrientes necessárias para o crescimento da criança.





