Pastoral pode ser indicada para Nobel
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segunda-feira, 28 de julho de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
A atuação da Pastoral da Criança pode dar ao Brasil pela primeira vez o Prêmio Nobel da Paz, que será proposto à coordenadora nacional da entidade, a médica Zilda Arns Neumann, 63 anos. A proposta deve ser apresentada pelo argentino Adolfo Ezquivel, detentor do prêmio na área de Direitos Humanos. Zilda Arns, irmã do cardeal d. Paulo Evaristo Arns, de São Paulo, participou domingo em Cascavel de um encontro de 900 voluntárias da Pastoral.
Edson MazzettoA coordenadora Zilda Arns: maior organização não-governamentalEla disse que o Nobel ressaltaria ainda mais o que a Pastoral faz na prática, como maior organização não-governamental do mundo em saúde, nutrição e educação comunitárias. A entidade, vinculada à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), foi fundada em Florestópolis (norte do Paraná) em 1983 e serve como modelo para vários países em ações básicas de saúde. O trabalho das voluntárias envolve crianças, mães, gestantes e famílias.
A coordenadora apresentou em Cascavel os últimos levantamentos feitos pela entidade, com resultados obtidos nas ações básicas de saúde. Em todo o país, no primeiro trimestre do ano atuaram 82,7 mil líderes em 2,56 mil municípios. Foram atendidas 3,13 milhões de crianças; 143,8 mil gestantes e 2,14 mil famílias.
Em cada um dos últimos três anos a Pastoral obteve redução média de 7% na mortalidade infantil. Enquanto a estimativa oficial no Brasil é de 45 mortes na faixa até 1 ano por mil nascidos vivos, em 96 a entidade limitou o índice a 17,6. Zilda Arns observa que os números mostram que as ações da Pastoral resultaram no salvação de cinco mil crianças de morte prematura.
As líderes são treinadas para levar às famílias técnicas acessíveis para prevenção à doenças, aleitamento e uso de folhas, sementes e cascas na alimentação, todos de alto valor nutritivo. As líderes também orientam para a higiene, o controle de diarréia, a prevenção a problemas respiratórios, a vacinação e outras práticas.
Fazem ainda encaminhamento ambulatorial ou para hospitais, promovem a alfabetização - atualmente, com 46 mil alunos - e disseminam programas de geração de renda nas comunidades carentes. Para Zilda Arns, o sucesso das ações está no voluntariado e sua crença na fraternidade e na simplicidade de ações.
No ano passado, a entidade contou com recursos de R$ 9,64 milhões, dos quais R$ 6,7 milhões do Ministério da Saúde, o que significa que o custo de cada criança atendida é de aproximadamente R$ 0,80.


