Com as atenções voltadas para a eleição presidencial, a Comissão Pastoral da Terra (CPT) promove no próximo domingo a 13ª edição da Romaria da Terra do Paraná. Os organizadores esperam a presença de 40 mil agricultores e trabalhadores rurais sem-terra de todo o Estado no município de Paranacity, 50 quilômetros ao norte de Maringá. Missas, depoimentos, além de apresentações culturais e teatrais fazem parte da programação, prevista para o assentamento Vitória.
Os participantes vão protestar também contra a política fundiária do presidente Fernando Henrique e mostrar que experiências alternativas de administração, como cooperativas, podem ser caminhos viáveis para combater o êxodo do campo e o desemprego. ‘‘Neste ano queremos celebrar as famílias que conquistaram a terra e desta forma incentivar os outros a se organizarem’’, disse o bispo auxiliar de Curitiba, dom Ladislau Biernaski, vice-presidente da CPT Nacional.
Neste ano, o tema é ‘‘Reforma Agrária, Produção e Cooperação’’. Os agricultores pretendem enfocar a experiência dos assentados da Cooperativa de Produção Agrícola Vitória (Copavi). Ela está numa área de 285 hectares onde vivem 23 famílias. A Copavi foi fundada pelo Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) em 93. ‘‘Queremos mostrar que é viável trabalhar em cooperativa’’, observou dom Ladislau. O advogado da CPT do Paraná, Darci Frigo, disse que o evento em Paranacity serve como um alerta à sociedade sobre a falta de perspectivas de mudanças no projeto de distribuição de terras do governo federal.
‘‘A campanha eleitoral está morna e temas sociais como emprego e reforma agrária estão sendo abordados por obrigação, mas a gente vê que não existe vontade de colocar estas prioridades na agenda de FHC’’, criticou Frigo. Em sua opinião, a mobilização da sociedade brasileira era maior há nove anos do que é agora.

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