A Pastoral Carcerária da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) vai encaminhar um relatório sobre a situação das carceragens de distritos policiais e presídios paranaenses ao Ministério da Justiça, ao governo do Estado, à Anistia Internacional e à Organização das Nações Unidas (ONU). Desde o último fim de semana, o coordenador nacional da Pastoral, padre Gunther Zgubic, está visitando unidades prisionais em Londrina.
Ontem à tarde, ele esteve no 5º Distrito Policial (DP), na Zona Norte. No final de semana, visitou a Casa de Custódia (CCL) e a Penitenciária Estadual (PEL) da cidade. Hoje, Zgubic deverá ir ao 2º DP (Zona Leste) e, se houver tempo, ao 3º DP (Zona Oeste), onde apenas mulheres ficam presas. Além disso, vai conversar com o juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle. No Paraná, o padre já visitou unidades prisionais na Região Metropolitana de Curitiba e em Guarapuava. As impressões parciais não são as melhores.
''Nos distritos, as carceragens têm pouca luz e é difícil respirar. Há superlotação porque a Justiça paranaense é muito lenta, demora de nove a 18 meses para julgar um caso'', disse o padre. ''Além disso, falta atendimento de saúde qualificado aos presos. Em alguns presídios, constatamos indícios de tortura. O Estado deve estimular penas alternativas e melhorar a Justiça. No modelo atual, é muito difícil atingir o objetivo de uma sentença: recuperar o preso''. Ontem à tarde, havia 74 homens na carceragem do 5º DP, um espaço com capacidade para 24 pessoas.
Os detentos aproveitaram a presença do padre para relatar suas situações penais. Leandro Edinei Martins da Silva, 26 anos, demonstrava preocupação com a esposa e o filho de um mês, que, segundo ele, estariam numa cela no 3º DP. ''Fui preso injustamente. Ia roubar um DVD de uma loja: coloquei o aparelho no carrinho do bebê, mas desisti e larguei a mercadoria no local. Mas mesmo assim me seguiram, chamaram a polícia e eu e minha família fomos presos'', lamentou.
Cléber Cristiano Messias, 24 anos, disse que já cumpriu inteira a sentença de oito meses e 20 dias por tentativa de furto, mas ainda não foi liberado. ''Preciso sair daqui, já paguei o que devia'', afirmou ele. Outro detido, Roberto de Lima Soares, 49 anos, reclamou da falta de atendimento de saúde adequado. ''Ontem (anteontem), tive um princípio de infarto. Se não fosse pela ajuda de um colega de cela que já trabalhou em farmácia, teria morrido''.

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