O Centro de Direitos Humanos (CDH) foi impedido, ontem, pela segunda vez de entrar na Casa de Custódia de Londrina (CCL) para apurar junto aos presos as denúncias de espancamento. O diretor da unidade penal, Major Edison Marcos Tomas afirmou que a ordem é do Secretário de Segurança do Estado, José Tavares.
Na quarta-feira o CDH foi barrado, mesmo com autorização do juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle. A justificativa do diretor da CCL era de que o secretário tinha impedido a entrada por motivo de segurança, já que na noite anterior houve uma rebelião. Ontem o CDH voltou acompanhado da Pastoral Carcerária, do promotor de Defesa e Garantia dos Direitos Constitucionais, Paulo Tavares e da vereadora Elza Correia.
No entanto, foi permitida a entrada apenas do promotor e da vereadora. A atitude causou indignação no grupo. Durante duas horas eles tentaram negociar a entrada do CDH e da Pastoral, mas nem o promotor nem a vereadora foram atendidos pelo secretário.
Paulo Tavares falou com o coordenador do Departamento Penitenciário do Estado (DEPEN), Divonzir Mafra que disse que o secretário afirmou que o CDH estaria se utilizando politicamente do episódio. Jorge Custódio afirmou não entender esta atitude do secretário.
‘‘É lamentável este fato. O Ministério Público que vê com muita indignação esta postura contra entidades que vêm fazendo muito no município pelos direitos humanos’’, afirmou Paulo Tavares. Mesmo com autorização por escrito do juiz Roberto do Valle, o CDH não pôde entrar. Segundo o juiz, a alternativa seria um mandado judicial para intimar o Major Tomas para que o CDH entrasse na CCL. ‘‘Para isto é preciso fazer um requerimento que será avaliado para que seja expedido um mandado’’, afirmou.
A assessoria de imprensa da Secretaria Estadual de Segurança Pública informou que o secretário José Tavares não via motivos para permitir a entrada dos membros do CDH na Casa de Custódia, já que a situação estava controlada e não havia registros de feridos. O assessor argumentou ainda que a CCL está passando por ‘‘ajustes na segurança’’ e que já houve avanços nos direitos humanos dos presos com a transferência deles dos distritos para a unidade prisional.

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