Em setembro desse ano a Pastoral da Criança completa 25 anos de existência. O projeto que nasceu em Florestópolis cresceu e hoje está em 4.063 municípios brasileiros e em 17 países. A criadora da Pastoral, a médica pediatra e sanitarista Zilda Arns Neumann, afirma que reduzir a mortalidade infantil entre as comunidades carentes foi sua grande conquista, mas acha que mais importante ainda para essas famílias é oferecer educação e oportunidades para que elas tenham acesso a informação e autonomia.
Segundo ela, a educação é o melhor método de planejamento familiar que existe. Em pesquisas realizadas dentro da pastoral já ficou comprovado que quanto maior o nível de educação dos pais, menor é a porcentagem de mortalidade infantil. ''Quando as pessoas têm acesso a informação, elas têm mais oportunidades e em consequência uma preocupação maior com o planejamento familiar'', explica.
Ainda hoje, 35% das mortes de crianças com menos de um ano são consequências de um pré-natal mal feito. ''Essa autonomia é algo fundamental e a educação é a única saída para isso'', completa.
Ela conta que quando imaginou o projeto para a criação da Pastoral da Criança, queria simplesmente ajudar as crianças pobres. ''A idéia inicial era levar para outras cidades, mas hoje estamos em 17 países. No começo não pensava que poderia chegar tão longe''. Só no Paraná a Pastoral atende hoje mais de 207 mil crianças com até seis anos de idade e acompanha mensalmente perto de 10 mil gestantes. Em todo o Estado são mais de 31 mil voluntários que colaboram.
Zilda lembra que ter pessoas trabalhando voluntariamente foi um de seus maiores desafios, até mesmo porque em comunidades muito pobres era difícil encontrar alguém que pudesse ajudar e colher informações junto às famílias. ''Quando pensei no projeto, sabia que tinha que fazer algo que não necessitasse de grande volume de recursos. Ao mesmo tempo, precisava comprovar que ele daria resultado. Com isso, seria possível conseguir apoio da sociedade e do poder público''.
No primeiro ano, a Pastoral conseguiu reduzir a mortalidade infantil de 127 para 28 para cada grupo de mil crianças. Graças ao soro caseiro, a mistura de água, sal e açúcar considerada um dos maiores avanços da medicina.
O trabalho da Pastoral não se restringe apenas à Igreja Católica. De acordo com Zilda, voluntários de outras religiões também participam, porque vêem o resultado positivo. Em sua última viagem ao Timor Leste, onde o projeto também foi implantado, ela viu muitos mulçumanos servindo como voluntários e até líderes. ''Isso é emocionante, as pessoas estão realmente envolvidas em ajudar as outras, independente de sua religião'', observa.
Outro ponto importante destacado por ela é o fato de que nesses 25 anos de existência a Pastoral nunca se envolveu com campanhas políticas. Ela conta que em ano de eleições, principalmente municipais, a orientação é que ninguém ligado ao projeto use objetos que façam propaganda para qualquer candidato.
O que a Pastoral faz, no entanto, é incentivar os candidatos a mostrar seus projetos e assumir compromissos com a saúde e educação das famílias brasileiras. ''Eu mesma nunca fui vista ao lado do meu sobrinho, Flávio Arns, em ocasiões políticas. Não vou sequer jantar na casa dele se houver uma reunião política. Essa distância nos ajudar a cobrar políticas públicas e também conseguir apoio dos mais diferentes segmentos'', justifica.
Como médica, ela contabiliza os muitos avanços e acredita que graças ao trabalho da Pastoral foi possível ajudar milhares de crianças. Porém, ainda vê um longo caminho pela frente, levando saúde, educação, espiritualidade e cidadania para as famílias.

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