Pastoral da Criança comemora avanços
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 08 de outubro de 1997
Paulo Pegoraro Cascavel 
Edson MazzettoAcompanhamentoRoseli
Erna
Parlow,
20 anos,
amamenta
a filha
Gessica,
de 2
meses,
em um
posto de
saúde de
CascavelA mortalidade na faixa até 1 ano caiu para 14 por mil nascidos vivos entre os atendidos pela Pastoral da Criança no Paraná, que sedia a coordenação nacional da entidade. No Brasil, a taxa é de 22 por mil. Mas cai para 17 por mil entre as crianças atendidas desde o nascimento. O levantamento, que acaba de ficar pronto, refere-se ao primeiro semestre do ano e foi divulgado anteontem em Cascavel.
A redução da mortalidade tem sido contínua, de 7% em cada um dos últimos três anos entre as crianças atendidas pela pastoral. A coordenadora nacional da pastoral, Zilda Arns Neumann, chama atenção para o fato da entidade atuar exclusivamente nos bolsões de pobreza, onde naturalmente as condições de sobrevivência são inferiores. Zilda salienta ainda que nenhuma criança atendida está nas ruas.
Os resultados são ainda mais expressivos quando comparados aos referentes a crianças não acompanhadas pela entidade: 40 morrem antes do primeiro ano de vida. O levantamento indica ainda que entre os 3,2 milhões de crianças de até seis anos atendidas, a taxa de desnutrição ficou em 9% (a média nacional é 18%). Estes resultados foram obtidos por ações básicas de saúde orientadas por 88,2 mil líderes voluntárias, atuando em 254 dioceses da Igreja Católica e em 2.650 municípios e 23,4 mil comunidades.
Segundo a estatística, também foram atendidas 159,3 mil gestantes. No Paraná, 14 mil líderes atuaram com 459 mil crianças e 21,1 mil gestantes, em 293 municípios e 3,4 mil comunidades. Segundo a irmã Terezinha Tortelli, coordenadora estadual da Pastoral da Criança, o índice de mortalidade infantil vem sendo reduzido no Estado. Em 1994, era de 32 por mil nascidos vivos, no ano seguinte 19, em 96 a taxa foi de 15 e agora caiu para 14 por mil nascidos vivos.
Em Cascavel, são 11,3 mil crianças, 8,5 mil famílias e 274 gestantes, acompanhadas por 303 líderes. Além da desnutrição entre as crianças ser inferior a 3% e a diarréia pouco superior a 1%, o aleitamento materno exclusivo até os quatro meses de vida chegou a 74,6% e 66% delas tiveram aumento de peso. Todas as que tiveram diarréia receberam soro caseiro (água, sal e açúcar), 99% receberam vacina antitetânica e 97,6% vacinação completa. Das que nasceram, 99,5% fazem o que é esperado de crianças normais.
As líderes da pastoral orientam as famílias para prevenção a doenças, aleitamento e uso de folhas, sementes e cascas na alimentação. Também orientam para higiene, controle de diarréia, prevenção a problemas respiratórios, vacinação, encaminhamento ambulatorial ou para hospitais, alfabetização e programas de geração de renda. Os recursos financeiros da pastoral são repassados pelo Ministério da Saúde, convênios com municípios e doações. Para cada criança atendida, o investimento é de apenas R$ 0,80.


