Edna Mendes
De Cornélio Procópio
A coordenadora nacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns Neumann, disse no final de semana, durante um encontro estadual sobre o Trabalho da Pastoral da Criança na Terceira Idade, realizado em Cornélio Procópio, que os dados divulgados no último relatório da entidade sobre mortalidade infantil na Arquidiocese de Londrina foram mal interpretados.
‘‘Houve um equívoco por parte da imprensa e do prefeito Antonio Belinati (PFL). Os números são relativos somente ao segundo trimestre deste ano e abrangem outros 12 municípios da região. Além do mais, estes dados não podem ser encarados como índice oficial’’, esclareceu a coordenadora. ‘‘É prudente que se divulgue dados anuais e não trimestrais, fugindo das vicissitudes sazonais ou acontecimentos extemporâneos’’, completou.
No início de outubro, a assessoria de imprensa da Prefeitura de Londrina, com base no relatório da Pastoral, divulgou que o município havia alcançado o menor índice de mortalidade no Estado – 2,1 mortes em grupo de mil crianças com menos de um ano de idade. A informação não levou em conta que foram tabulados dados de mais 12 municípios que compõem a Arquidiocese de Londrina. ‘‘Atingimos o mesmo índice, e em alguns casos até maior, de países do Primeiro Mundo’’, comemorou na oportunidade o prefeito Antonio Belinati (PFL).
Zilda Arns sugeriu que, ao invés de capitalizar politicamente os bons resultados do relatório, o prefeito deveria se preocupar em melhorar a estrutura de hospitais voltados ao atendimento infantil, criando uma rede que atenda desde a gestação até o parto, combinada com programas que incentivem o aleitamento materno.
Segundo a coordenadora, a Pastoral da Criança ainda usa como parâmetro da mortalidade de crianças, o índice anual de 1998. Neste ranking, das 17 dioceses do Paraná, Londrina figura na 14ª colocação, com um índice de 20,6 mortes por grupo de mil crianças. A diocese de Umuarama encabeça a lista, com 3,5 mortes por mil. Guarapuava apresenta o pior desempenho, com 29,6 por mil.

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