Pastor se defende e diz que não agiu de má-fé
Osmani Costa
De Londrina
O pastor e presidente do Ministério de Madureira da Igreja Assembléia de Deus em Londrina, Zenil Moraes, esteve na Redação da Folha, na tarde de anteontem, para rebater as acusações feitas pela empregada doméstica Luciana Gomes dos Santos, na edição do dia 13. Segunda ela, que registrou queixa na polícia, o pastor teria agido de má-fé ao fechar uma creche e continuar pedindo doações para a entidade no Calçadão do centro da cidade.
De acordo com Luciana dos Santos, mãe de dois filhos pequenos, o pastor Moraes estaria distribuindo panfletos da Creche Dorcas 2 que funcionou no Jardim San Rafael, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina) chamando seus filhos e as outras crianças de órfãos. Além disto, o pastor não devolveu os dez reais que paguei para o atendimento a cada um de meus filhos no mês de novembro, em que a creche não funcionou, reclamou a doméstica.
Na reportagem publicada no dia 13, também o dirigente da Assembléia de Deus no San Rafael, o aposentado Wilson da Silva, criticou o pastor Moraes: Foi ele quem alugou a casa e mandou abrir a creche. Eu e minha família trabalhávamos como voluntários. Tiramos dinheiro do bolso para comprar gás, pão e outros alimentos para as crianças. Com um prejuízo de mais de R$ 200,00, resolvi fechar a creche. O Zenil nunca mais apareceu aqui nem para dar satisfação.
Ontem, o pastor Zenil Moraes afirmou que o aposentado Wilson da Silva cometeu negligência no desempenho de suas funções e já foi afastado do cargo de dirigente da igreja em Ibiporã. O Wilson tinha autonomia para tocar a creche e nunca nos comunicou sobre os problemas que havia nela. Ele não deu conta do recado, acumulou despesas desnecessárias com a compra de alimentos e acabou sendo obrigado a fechar a creche. Por isto, foi afastado do cargo, comentou o pastor.
Wilson da Silva não concorda com as críticas e nem com a acusação de negligência. Enquanto eu e minha família estivemos à frente da creche, cuidamos dela com o máximo de empenho. As mães das crianças são testemunhas disto. Se compramos alimentos, e temos notas fiscais, foi para as crianças não passarem fome. Fomos quatro vezes a Londrina, em busca dos alimentos prometidos pelo pastor Zenil, mas a quantidade que recebemos era insuficiente, afirmou Silva.
O pastor Zenil Moraes esclareceu ainda que as doações que pede no centro de Londrina não se destinam à creche fechada no mês passado, mas sim a outros projetos do Instituto de Assistência Dorcas (IAD), que possui uma creche, uma marcenaria e uma casa de recuperação para jovens drogados.
Em nossos panfletos, em nenhum momento dizemos que as crianças assistidas são órfãs. O que há é um versículo, entre aspas, com uma citação bíblica sobre a importância do apoio a crianças e órfãos. Infelizmente, a senhora Luciana dos Santos interpretou mal a mensagem, afirmou o pastor da Assembléia de Deus, que é mantenedora do IAD e seus projetos. A colaboração de dez reais por mês para cada criança foi decidida em assembléia pelos próprios pais. Temos tudo isto em ata. Em reunião realizada nesta semana, a própria Luciana dos Santos reconheceu o equívoco que cometera e decidiu retirar a queixa feita à polícia.
A mãe de Luciana, Aparecida dos Santos, não quis confirmar ou desmentir a versão do pastor. Minha filha viajou e só voltará na segunda-feira. Sobre este assunto, só ela pode dar entrevista, ressaltou Aparecida. Até a tarde de ontem, a doméstica não havia retirado a denúncia contra o pastor na 10ª Subdivisão Policial de Londrina.
O pastor garantiu que o IAD vai pagar a dívida de aproximadamente R$ 400,00 deixada pela creche fechada em Ibiporã, e que pretende reabri-la no próximo ano, caso consiga apoio das autoridades municipais para o pagamento das despesas de manutenção. Na visita à Folha, Moraes esteve acompanhado pelo novo presidente do Conselho de Pastores de Londrina, Clóvis de Pinho.





