Pastor pode ter intermediado adoção
Pastor pode ter intermediado adoção
A zeladora Loreni Oliveira diz que gêmeos foram levados por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, de Curitiba
Albari RosaIndicaçãoLoreni Oliveira indicou um casal para adoção e deverá prestar depoimentoJames Alberti
A zeladora do edifício Batel Palace, Loreni dos Santos Oliveira, 35 anos, disse ontem à Folha que os filhos da dona de casa Marisa de Souza Taborda da Maia, 35 anos, de Campo Largo, teriam sido adotados ilegalmente por um pastor da Igreja Universal do Reino de Deus, de Curitiba. Ela não sabe dizer se o pastor teria intermediado a adoção ou ficado com as crianças. Loreni confirmou que havia indicado um casal de Campo Largo para ficar com os gêmeos. Este não teria abrigado as crianças, segundo a zeladora, porque era pobre e queria adotar apenas um bebê.
Conforme Loreni, a empregada doméstica de um apartamento do Palace, de prenome Sirlei, teria afirmado que o pastor da igreja que frequentava queria adotar as crianças. A Sirlei disse que podia ser que o pastor tinha ficado com os bebês, afirmou Loreni. A afirmação teria ocorrido depois da adoção ilegal. As crianças nasceram no dia 5 de novembro do ano passado e teriam sido negociadas 18 dias depois. Marisa é acusada de ter entregue os filhos em troca de material para construção e de cestas básicas por um ano.
O delegado do Serviço de Investigações de Crianças Desaparecidas (Sicride), Harry Herbert, disse já ter determinado que Loreni seja localizada e intimada a depor. Herbert disse ter dificuldade para agendar os depoimentos, já que investiga quatro casos. Todos vieram a público nesta semana, como mostrou a Folha ontem. Três ocorrem na Região Metropolitana - em Campo Largo, Campina Grande do Sul e numa cidade não revelada - e um no Litoral - em Pontal do Paraná (veja abaixo).
O quarto caso foi denunciado ao Sicride anteontem e confirmado ontem pelo delegado, que se recusou a fornecer detalhes. Herbert apenas adiantou que a criança teria sido retiradas da mãe à força. Conforme o delegado, a adoção ilegal teria o envolvimento de autoridades da cidade, que fica na Região Metropolitana. O delegado disse ter certeza que as pessoas responsáveis pelas adoções, em especial neste caso não divulgado, não são as mesmas.
Herbert disse que ontem foi localizada Elisabete Souza Brandão, acusada de vender a filha. A menina nasceu no dia 9 do mês passado e teria sido entregue para uma mulher, de nome Magda, e um casal que residia em Joinville (SC). Desde que o caso foi denunciado, pelo irmão de Elisabete, Marcelo Brandão, a mãe havia desaparecido. O delegado, porém, ainda não sabe quando deve interrogar Elisabete. Só então Herbert saberá por quantos reais Elisabete teria vendido a filha.





