O pastor norte-americano Morris Cerullo arrastou uma multidão ao Ginásio de Esportes do Moringão e ao Anfiteatro do Zerão, centro de Londrina, na noite de segunda-feira. Segundo os organizadores do evento, havia aproximadamente 13 mil pessoas no ginásio e cerca de 8 mil no anfiteatro, onde foram instalados dois telões.
Cerullo, que se intitula ‘‘profeta de Deus’’, iniciou a pregação dizendo que todos os que compareceram foram ‘‘escolhidos por Deus’’ e que voltariam para casa transformados. Destacou que gostaria de um momento para as ofertas. Prometeu a bênção financeira sobre todos os envelopes de oferendas, distribuídos aos fiéis. Depois pediu que todos fizessem a maior oferenda possível. ‘‘Faça o melhor que puder. Uns podem dar mil reais; outros, cinco mil’’, pediu.
Na sua pregação, o profeta criou um clima de transe. Muitos cantavam e gritavam, alguns desmaiavam. Poucos ficaram indiferentes. Mas nenhum dos paralíticos conseguiu andar. Ao final da ‘‘Jornada de Poder’’, a decepção no rosto dos que esperavam por milagre. ‘‘Vamos esperar um pouco mais’’, disse Irene Alves da Silva. Auxiliada por uma filha e um vizinho, levou o marido, Rafael Tavares da Silva, de 64 anos, paralisado por derrame. ‘‘Disseram que esse pastor fez milagres em São Paulo.’’
Outro deficiente físico, que veio de Arapongas, disse: ‘‘Muito mais importante do que a cura física é a cura espiritual.’’ Marcelo Lombero, vendedor de 26 anos que também usa muletas, criticou: ‘‘O que aconteceu nessa noite foi um roubo.’’ Ele citou a Bíblia, Miquéias, 3, versículo 11: ‘‘Os seus chefes dão sentenças por presente, e seus sacerdotes ensinam por interesse, e seus profetas advinham por dinheiro, e, ainda, se encostam ao Senhor dizendo: Não está o senhor no meio de nós? Nenhum mal nos sobreviverᒒ.
A vice-governadora Emília Belinati disse que estava se sentindo constrangida. ‘‘Aceitei o convite, inclusive como evangélica que sou, na expectativa de ouvir uma boa mensagem. Esse culto não reflete a nossa forma de entender o Evangelho.’’

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