Animado com a possibilidade de finalmente garantir o tratamento dentário adequado para ele e sua família, o pastor evangélico Edson de Oliveira Filho, 43 anos, não pensou duas vezes antes de usar o plano odontológico da Odontonet. O plano foi um brinde oferecido pela NET quando ele aderiu ao serviço, em março. ‘‘Nem imaginava que ia me dar tanta dor de cabeça’’, comenta.
Ele acusa a Odontonet de não ter repassado as informações corretas sobre preço e serviços a serem prestados, levando-o a ter um prejuízo de R$ 140,00. O diretor-clínico e proprietário da Odontonet, o dentista Sérgio Scaff, nega a acusação do pastor e disse que ele está distorcendo a verdade para tentar reaver o dinheiro gasto. ‘‘Nossa dentista explicou todo o procedimento para a esposa dele que foi quem permaneceu na clínica com as meninas. Se ela não repassou as informações corretas para ele, não é de nossa responsabilidade’’, afirmou, ontem, em entrevista à Folha.
‘‘A primeira coisa que perguntei foi quanto teria de pagar pelo aparelho. Mas me garantiram que forneceriam um orçamento dos custos antes de qualquer definição’’, garante o pastor. Assegurado de que só iria adquirir os aparelhos se o custo estivesse dentro de suas possibilidades, ele levou as filhas até a Odontonet da Avenida Bandeirantes. Precavido, ele conta que voltou a perguntar à empresa quanto ficariam os aparelhos.
‘‘A moça disse que eu teria de pagar R$ 70,00 para cada filha. Achei caro, mas como era importante negociei o parcelamento dos R$ 140,00 em três vezes e saí da Odontonet com a certeza de que tinha pago o aparelho’’, diz. Acertada a forma de pagamento, as crianças foram encaminhadas ao Prodonto onde fariam os últimos exames para preparo do aparelho.
Edson só descobriu que não havia pago os aparelhos no dia 18 de novembro. ‘‘Para mim estava tudo certo. Fui levado a acreditar nisto; tanto que, na visita seguinte minhas filhas estavam prontas para colocar o aparelho’’, reforça. Foi um choque quando, ao retornar com as meninas, foi informado que teria de pagar pelo aparelho e ainda por uma manutenção mensal de cerca R$ 60,00 por criança.
‘‘Eu não tenho condições de manter um gasto mensal de R$ 120,00. Se soubesse, não teria concordado’’, afirma. Ele diz que só quando questionou a empresa é que lhe explicaram que os R$ 140,00 não eram para a confecção dos aparelhos. ‘‘Explicaram que, para fazer o aparelho, é preciso elaborar a documentação e que só o custo dela era de R$ 140,00’’, esclarece. ‘‘A moça achou que eu sabia disto. Mas eu não sabia. A obrigação da empresa era a de esclarecer o cliente.’’
A situação ficou ainda pior quando ele decidiu pedir o dinheiro de volta. A empresa se negou a ressarcir os R$ 140,00 alegando que a documentação havia sido feita e estava à disposição dele. Edson de Oliveira Filho registrou queixa no Procon, mas a Procuradoria não conseguiu convencer a empresa a compor acordo. Orientado a procurar o Juizado de Pequenas Causas, o pastor descobriu que só vai conseguir o dinheiro de volta se constituir um advogado e ajuizar ação contra a Odontonet.
‘‘O molho vai acabar ficando mais caro que o peixe. Mas não acho justo desistir porque outras pessoas vão continuar sendo iludidas’’, argumenta. Agora, o pastor está tentando que um amigo advogado assuma a causa.

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