Pastor esclarece ligação com Country Squire
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terça-feira, 18 de dezembro de 2001
Emerson Dias<br>De Londrina 
O pastor Osni Ferreira confirmou ontem em Londrina que compõe, juntamente com a filha Sarah Priscila Ferreira Jacomini, a representação da Country Squire International Corporation no Brasil, empresa canadense que financia projetos humanitários de entidades e prefeituras de todo o País. Em entrevista coletiva, Ferreira também confirmou que há propostas milionárias destinadas à Prefeitura de Arapongas e ao Ministério Evangélico Pró-Vida (Meprovi) de Londrina. Caso as doações internacionais a fundo perdido sejam autorizadas pelo Banco Central (BC), o montante pode ultrapassar os US$ 220 milhões.
A entrevista foi marcada pelo pastor para esclarecer o relacionamento dele com a empresa, cujas atividades estão sendo investigadas pelo BC e pelo Ministério Público Federal (MP). A Country Squire e outras 60 organizações não- governamentais (ONG) do exterior podem estar atuando irregularmente em países em desenvolvimento (veja reportagem nesta página). ''Minha filha é a representante oficial e eu apenas assessoro a Sarah. Mantenho contato com a empresa canadense desde o início deste ano e conheço pessoalmente a sede e também o presidente (John Samcoe)'', afirmou Ferreira, desmentindo a informação que o endereço da empresa ficaria em imóvel vazio de um bairro residencial em Toronto.
Ele disse ainda que recebeu garantias que a Country Squire atua desde 1974 na concessão de créditos a projetos humanitários e que os recursos têm origem de um programa semelhante ao plano pós-guerra norte-americano. ''Esse dinheiro vem de instituições econômicas que utilizam o mesmo conceito do Plano Marschal, criado para ajudar os países europeus vítimas da 2 Guerra Mundial. Essa empresa não é uma ONG, mas sim uma corporação que levanta recursos especialmente da Suíça e de Londres'', informou o pastor.
Sobre os contatos realizados na região de Londrina, Ferreira confirmou ter acompanhado sua filha em uma reunião com o prefeito de Arapongas, José Aparecido Bisca. ''Fizemos contato com Arapongas. Prefeituras, empresas ou entidades não se negariam a estudar a proposta'', disse o pastor, referindo-se à proposta de US$ 110 milhões confirmada por Bisca. Sarah também teria falado sobre o fundo internacional com o Nedson Micheleti. ''Minha filha fez contato com o prefeito de Londrina, mas ele disse que estava com muitas atividades e o projeto não teve andamento'', comentou Ferreira, sem especificar valores que seriam destinados à cidade.
O repasse de US$ 127 milhões que beneficiaria a Meprovi, entidade criada para atender usuários de drogas e meninos de rua de Londrina, também foi confirmada pelo pastor. ''É claro que estou sabendo da proposta da Meprovi. Qualquer instituição que faz trabalho social e filantrópico pode fazer contato com a Country (...) Mas, por enquanto, apenas apresentamos projetos. Não veio nenhum tostão.''
Estas e outras solicitações de transferência integram mais de 600 documentos repassados ao MP no último dia 5 para serem investigados, devido aos altos valores apontados nos contratos. Entre eles estão US$ 5,5 milhões, destinados diretamente a Sarah. ''Ela é uma funcionária, tem um contrato com a Country Squire. Sobre os valores, quem pode responder é o dono da empresa'', disse Ferreira, sem especificar se o dinheiro seria uma comissão, doação ou remuneração. O pastor que atualmente mora nos Estados Unidos, está na cidade porque receberá amanhã o título de Cidadão Honorário de Londrina, homenagem oferecida pela Câmara de Vereadores.


