Pastor é morto em assalto dentro de igreja
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sábado, 19 de maio de 2007
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O fim da violência sempre foi um dos alvos das tradicionais vigílias noturnas na Igreja Poço de Água Viva, inaugurada há oito anos na Vila Casoni (Área Central de Londrina). Na noite da última sexta-feira, nem as orações puderam impedir que um homem entrasse no templo evangélico e atirasse na cabeça do pastor Erinaldo Lopes da Silva, 42 anos.
''Ele ainda sobreviveu por oito minutos. Mas já estava desacordado'', contou a esposa e também pastora Sara, 41 anos, com a mesma precisão com que recordou o horário do crime: 23h14. Minutos antes, ela e o marido davam as mãos para um grupo de aproximadamente dez pessoas que orava ''pela cidade, pela vida, pela segurança''. Pela porta aberta da igreja, ''um homem bem vestido, aparentando ter em torno de 40 anos'', segundo Sara, entrou armado de revólver, ordenou que todos se deitassem no chão e gritou que queria a chave de um Gol estacionado na rua.
''O homem estava desesperado. Meu esposo levantou, pediu para conversar e foi atingido'', disse a viúva. ''Os pastores fazem isso mesmo, tentam apaziguar. Mal sabia ele que estava lidando com um animal, um possuído, não sei'', revoltou-se a amiga Viviane Mendonça Odebrecht. O proprietário do Gol, que também participava da vigília, teria sido chutado ao estender a chave do carro. O assaltante fugiu sem levar nada.
''A nossa justiça é falha, mas o que o homem planta ele vai ceifar'', afirmou Sara, que também recordou as recentes declarações feitas em Londrina pelo secretário de Estado de Segurança Pública, Luiz Fernando Delazari. ''Ele disse que a cidade está tranquila. É porque isso não aconteceu com a família dele.''
O presidente do Conselho de Pastores de Londrina, Joed Lamônica Crespo, lamentou profundamente a morte do colega. ''Aonde vamos agora, se fazem isso com um homem que estava buscando a Deus?'', indagou. Ele observou que as vigílias noturnas são uma prática comum entre os evangélicos e que os locais não costumam ser fechados. ''A igreja tem que estar aberta para as pessoas.''
Questionado se o crime não irá inibir os religiosos a participar das vigílias, ele respondeu com fé: ''Não podemos nos intimidar, se estamos no caminho certo.'' Das autoridades, cobrou mais policiamento e a discussão de formas de atuação contra a violência.
A reportagem procurou a chefia da assessoria de imprensa da Secretaria de Segurança Pública por meio do telefone celular, mas ninguém respondeu.
Nascido em Brasília, Erinaldo era pastor há 16 anos. Metade desse tempo foi dedicado à igreja da Vila Casoni, onde pregava para cerca de 60 fiéis. Ele deixou dois filhos, de 18 e 20 anos. Seu corpo seria velado na própria igreja e sepultado hoje, às 9 horas, no Cemitério Parque das Oliveiras (Zona Leste).


