Marta Medeiros
De Maringá
Especial para a Folha
A Polícia Civil de Maringá indiciou por assédio sexual e ameaça o pastor Luiz Cezar Costa, da Igreja Evangélica Assembléia de Deus. Ele foi denunciado pela sobrinha O.P.B.G, uma estudante de 18 anos. Ela gravou em uma fita cassete o último encontro que teve com o tio e contou para a polícia que foi molestada pela primeira vez aos 11 anos.
No inquérito aberto na 9ª Subdivisão Policial de Maringá (9ª SDP), O. afirma que estava cansada do assédio e que temia o fato da família, toda evangélica, não acreditar nas acusações contra o próprio tio. Ela disse que nos últimos meses, Costa passou a insistir demais por um encontro. O. foi orientada pelo namorado a ir conversar com o tio, que mantinha um escritório no centro de Maringá, levando junto um pequeno gravador.
A estudante também procurou um advogado que formulou a denúncia e pediu a abertura do inquérito policial. A polícia degravou a fita e decidiu indiciar o pastor por assédio e também por ameaça. Em certos momentos do diálogo entre Costa e a sobrinha, ele faz fortes pressões para que ela não conte nada para ninguém sob pena de sofrer ‘‘medidas mais drásticas’’.
Segundo o delegado-adjunto da 9ª SDP, Roberto Fernandes, a fita não deve ser utilizada como meio de prova porque foi feita de forma clandestina, mas é um importante instrumento da denúncia. ‘‘Afinal, esta foi a única forma que ela encontrou para mostrar as situações pelas quais passou por causa do tio’’, explicou Fernandes à Folha.
A Folha procurou ontem pelo pastor Costa na Assembléia de Deus em Maringá. Funcionário da secretaria afirmou que Costa não é pastor e sim presbítero da igreja em Arapongas. Um pessoa identificada como Ismael, de Arapongas, disse à Folha por telefone, que a função de presbítero, quando dirigente de uma igreja, é semelhante a de pastor. Ele cofirmou que Costa mora em Maringá, mas que não aparece há dias em Arapongas e que ‘‘por causa de uns probleminhas em Maringᒒ, mudou os números dos telefones que mantinha como contato.

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