Osmani Costa
De Londrina
A empregada doméstica Luciana Gomes dos Santos, 28 anos, registrou queixa na 10ª Subdivisão Policial (SDP) de Londrina contra o pastor da Igreja Assembléia de Deus – Ministério de Madureira –, Zenil Moraes. Mãe de dois filhos pequenos, ela acusa o pastor de estar praticando um golpe na praça. ‘‘Ele está com barraca no Calçadão, pedindo dinheiro e doações para a manutenção de uma creche que está fechada desde o mês passado’’, denunciou Luciana Santos.
Segundo ela, o pastor Moraes está distribuindo panfletos da creche com fotografias de seus filhos sem autorização prévia. ‘‘Ele está usando de má-fé. Nos folhetos, o pastor chama meus filhos e outras crianças de órfãos, o que é uma grande mentira e falta de respeito’’, comentou a empregada doméstica, que trabalha em Londrina mas reside no Jardim San Rafael, em Ibiporã (14 km a leste de Londrina).
A creche a que Luciana Santos se refere é a Dorcas 2, que funcionou por cerca de três meses na Rua Mirasselva, número 180, e está fechada desde novembro. ‘‘Eu pagava dez reais mensais para cada um de meus filhos. No último mês, o pastor mandou fechar a creche e não devolveu o dinheiro. As crianças chegaram a passar fome, lᒒ, ressaltou.
O dirigente da igreja Assembléia de Deus no San Rafael, o aposentado Wilson da Silva, informou na tarde de ontem que, apesar de ter cuidado da creche enquanto ela funcionou, ao lado da casa dele, a responsabilidade pelas contas é mesmo do pastor Zenil Moraes, da igreja da Vila Casoni, em Londrina. ‘‘Foi ele quem alugou a casa e mandou a gente abrir a creche, para ser uma filial da que tem na Vila Casoni. Eu e minha família trabalhamos como voluntários, inclusive colocando dinheiro do nosso bolso para comprar gás, pão e alimentos para as crianças. Depois de mais de R$ 200,00 de prejuízo, resolvemos fechar a creche’’, afirmou Wilson da Silva.
De acordo com ele, o pastor Zenil Moraes nunca mais apareceu em Ibiporã, ‘‘nem para dar satisfação’’, depois que fecharam a creche. ‘‘Entramos neste negócio da creche de bobos. Talvez quando sair a matéria no jornal, ele apareça aqui para os acertos’’, disse Elaine da Silva, que é filha de Wilson e trabalhou como secretária voluntária na Creche Dorcas 2.
Reclamações contra o funcionamento precário da creche também haviam sido feitas por mães junto à prefeitura de Ibiporã. Funcionários do setor de Tributação visitaram o local e notificaram Zenil Moraes para que regularizasse a documentação e obtivesse o alvará de funcionamento junto à Secretaria Municipal de Educação. Segundo informações de funcionários da prefeitura, o pastor esteve no órgão, assumiu o compromisso de regularizar os documentos, mas nunca mais voltou.
A reportagem da Folha esteve ontem na igreja Assembléia de Deus da Vila Casoni e na residência do pastor, naquele mesmo bairro. Ele não estava. O telefone dele está ‘‘temporariamente programado para não receber chamadas’’, de acordo com a Sercomtel. Na igreja, foi deixado recado para posterior contato, mas Zenil Moraes não deu retorno para falar sobre as acusações feitas contra ele.

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